11/02/2006

zero






zero nonsense

11/01/2006

estrelas














nonsense

6/25/2005

Ressucitando..

Bom, depois de algum bom tempo sem postar, pela razão de ter ficado um tempo sem computador e isso também aliado a preguiça e a falta de tempo e talz, cá estou de volta para falar de alguns filmes que vi recentemente. E, partir de agora, (provavelmente) voltar a postar com mais frequência, até porque acabo de ganhar 3 meses(!!) grátis de cinema. U-hu!!!

Mas bem, passado um pouco a euforia, vamos a lista de alguns filmes vistos no cinema e novidades em dvd, com comentários rápidos:


A Queda! As Últimas Horas de Hitler - ***** - Ótimo filme, há tempos que não via um filme tão bom no cinema (acho que o último tinha sido Dogville). Bem interessante, o filme sabe que está retratando na tela um dos personagens mais marcantes da história mundial recente e faz jus a isso. A presença de Hitler na tela é sempre marcante, e o filme aborda maravilhosamente bem questões interessantes como a adoração cega de todos ao seu redor, a negação da derrota, etc. Grandes atuações, não só de Bruno Ganz, como de todo o elenco, e muito bem produzido. Vale a pena das uma conferida

O Guia do Mochileiro das Galáxias - **** - Não chega nem aos pés do livro, mas como é extremamente raro no cinema um filme ser superior ou chegar ao mesmo nível de um bom livro, isso definitivamente não é ruim. Ainda mais em se tratando do livro mais engraçado e original dos últimos tempos. O filme consegue captar muito bem toda a atmosfera e o humor do livro, e isso aliado a alguns toques hollywoodianos indispensáveis a um filme como esse resulta em uma experiência estranha, engraçada e muito prazerosa. Destaque para Marvin, toda a seqüência com John Malkovich e, logicamente, a cena da baleia.

Kinsey – Vamos Falar de Sexo - ***1/2 – Bem interessante, mais pela história real do que qualquer outra coisa. A grande proeza do filme é não ter medo de explorar bem a história que tem em mãos. Há algumas coisas no filme um tanto mal-exploradas e/ou mal-solucionadas, mas o tema principal fica bem explícito e o filme consegue passar sua mensagem. Grande atuação do Liam Neeson e de Laura Linney.

Casa de Areia e Névoa - **** - Ótemo filme também. Focado principalmente na relação entre os seus personagens, e é por isso que as grandes atuações de Ben Kingsley, Jennifer Connelly e Shoreh Aghdashloo(saúde!) ajudam tanto o filme. A premissa não diz muito do filme, há uns flashbacks toscos, mas o drama é muito bem explorado, e a fotografia e toda a névoa em torno do filme valem o esforço. Um drama trágico que vale uma conferida

Team América: Detonando o Mundo - **** - Se tem uma coisa que não se pode se negar é que Team América é hilário. Um filme extremamente engraçado, desde a ótima seqüência inicial, passando pela mais explícita cena de sexo entre marionetes na história do cinema, até a aniquilação de vários atores (entre eles Sean Penn, Alec Baldwin e Susan Sarandon) Team America arranca várias risadas do seu expectador. È incrível tudo o que o filme consegue fazer com marionetes, que é o que faz o filme ficar ainda mais engraçado. A produção é excepcional, e as cenas de ação não deixam nada a desejar a outros filmes do gênero. Destaque também para a direção de arte e os figurinos. Uma pena é o filme ter sido lançado direto em dvd.

Nina - ** - Muito fraquinho. No começo até tem algumas coisas interessantes, principalmente no visual e na caricata atuação de Myriam Muniz. Mas depois da metade perde o ritmo completamente, e todas as suas metáforas parecem não significar nada. E é exatamente isso que o filme resulta, um completo nada.

Sahara - *1/2 – Nada mais nada menos do que qualquer filminho de ação hollywoodiano que existe por aí. É um tipo de filme que tem seu público, e cinéfilos que vão ver na espera de algo mais são tratados como meros intrusos. Nem adianta falar de furos de roteiro, pois como todo filme do tipo tem de monte, o problema do filme é que ele nem cumpre o seu papel, que é de divertir. A ação só empolga um pouco lá pelo final, e apesar de tentar, o filme não acerta nenhuma piadinha.


É isso aí,
Christopher Faust Pereira

5/30/2005

Três filmes em questão

Minha impaciência transforma o que seria um post para cada filme em um micro-post que irá centralizar minha opinião sobre os três filmes em questão. São filmes bem distintos. O escolhido para começar foi "Constantine", o filme que transforma Keanu Reeves no escolhido mais uma vez, e aproveita, e copia e cola o estilo "Matrix" de ser para quem sabe, sugar mais público. Enfim, é um filão que pega aquela renca que gosta de "Exorcista", e de quebra, pega os nerds fãs do filme dos irmãos Wachowski - que caem na estilo visual do filme que engana até um determinado momento. Depois, eternamente demais, revela-se o que deveria ser desde início, que é um HQ explícito.

Em si, "Constantine" é terrível. Uma esquemática trama cheia quebra de ritmo e com um ponta pé inicial desinteressante demais para sustentar um mistério tão chatinho. O filme abre com uma cena, e de pouco em pouco, vai mostrando a tal peça "chave" do filme, que, francamente, vai ser tolo assim lá não sei onde.

Para compensar o mal desse filminho, nada melhor do que ir no cineminha com a namorada. Opções rasinhas. Ela não queria ver o novo "Star Wars", e analisando horário e outras coisas, acabou sobrando "Refém", um filme com o Bruce Willis, que confesso, me causava um certo caláfrio. E as opiniões que li ao decorrer do lançamento do filme até eu vê-lo, eram nada animadoras. Pois bem, o filme não é terrível como se propõe de inicio. Quando começa, parece que será daquelas tolices que tem uma porção por aí, estrelada por Van Damme's da vida e Steven Seagal's. Só que tem algo interessante. Não interessantemente profundo, na verdade, interessante para a parte de ação, tensão e adrenalina do filme.

Pois fazer algo que se passe em um ambiente a maioria do tempo é complicado. E o filme consegue bons escapes para tornar isso um pouco interessante para o espectador, sem fazer analises psicológicas de buteco no protagonista - que é alguém traumatizado. O filme se carrega da filosófia de se não for para fazer com uma certa eficiência, que nem faça. Por isso, nem espere uma investigação na mente do protagonista. O filme é ação - com momentos de pura tensão e intensidade. É um jogo psicológico de certa forma, só que simples, superficial. A maior falha do filme consiste na má realização das partes emocionais de família, onde não convence apesar de ser um ponto principal do filme.

O terceiro filme que eu iria comentar era "Para sempre Lilya", só que estou um pouco cansado - então, digo apenas uma coisa: OBRA-PRIMA. Veja já.

5/27/2005

Shaolin Soccer



É bom que o cinema de Stephen Chow está se popularizando. Seria muito triste estar perdendo suas pequenas perólas. Não que eu tenha visto muitos de seus filmes e na verdade fora os que eu vi não sei qual é o estilo que segue (se for todos no estilo deste "Shaolin Soccer" e de seu recente sucesso "Kung-Fu Hustle" - precisamos que estas obras fiquem acessíveis urgentemente), mas nota-se que Chow é um grande comediante à lá Chaplin. Atua de forma brilhante e na direção, demonstra uma ousadia fora do comum sem ter constrangimento em investir em piadas e situações ingênuas, que podem soar de forma tola e displicente. Mas em tudo ele consegue o sucesso.

Seu protagonista é uma espécie de Carlitos oriental moderno. Sua humildade e seu espírito humano é repleto de bondade. Apronta das suas, tem seu tênis furado, suas roupas são velhos trapos - se sustenta com sucatas. E como Chaplin tem uma sensibilidade notável para mostrar uma das mais lindas relações de amor em "Luzes da Cidade", Chow tem sua forma de mostrar um amor diferente, com belezas que não são estéticas mas são sentidas. A crença na família que Chow tem é algo belo também; um pedido, um retrato, e uma união familiar bastante interessante. "Shaolin Soccer", em partes, poderia parecer um grande drama - e em certo momento realmente soa como um - só que Chow é um humorísta nato, sua natureza faz com que ele veja tudo com humor. Mas não deixa de ter sua visão simplista e honesta sobre o mundo. E não tem medo de soar vago e pífio quando classifica os maus como malígnos, etc. Em sua abordagem não lhe interessa ir tão longe em uma analise social assim.

Sua intenção é fazer rir. E "Shaolin Soccer" consegue isso muito bem. Com seu humor que é uma grande salada que lembra, claro, Chaplin, passando por Monthy Phyton, remete a Asterix e Obelix, e porque não, Chaves. É um mistão. São situações engraçadas de todas as formas: algumas inteligentes por diálogos, outras por diálogos ingênuos, outras pelo apelo visual, o exagero, e por aí vai. É o típico filme de esporte ganhando uma remodelagem originalíssima - afinal, não é sempre que se tem um filme que mistura futebol e com Kung fu e, esse Kung Fu parece mais que os tornam em seres super especiais. "Shaolin Soccer" não é um excelente filme, ele tem uma queda de rendimento na parte final, e algumas coisas ficam mal encaixadas; só que, esses erros foram corrigidos em "Kung Fu Hustle", que é mais interessante, mais engraçado. E é uma obra-prima. Mas assista os dois, um seguido - se aguentar rir tanto.

5/24/2005

171



Fabián Bielinsky em "Nove Rainhas" conseguiu algo que estava além de uma coisa comum. Era algo mais do que um filme de roubo. Criava-se um laço de simpatia com os golpistas (o que por sinal, tornava seu final extremamente impactante). Esse era o ponto mais forte do filme (junto, claro, com seu roteiro inteligentemente arquitetado), e nessa refilmagem americana George Clooney e Steven Soderbergh acharam uma boa idéia fazer (já não basta chatices como "Onze Homens e um Segredo" e seu derivado ?) com que esse elemento do original sumisse. É, estranho inclusive, que em alguns momentos o filme soe como se ambos os personagens criassem uma empatia com o espectador, algo que definitivamente está bem longe de conseguir.

Não existe também a empatia mútua entre os personagens. A dupla brinca do joguinho de estar sempre com um pé atrás nas atitudes. Ou seja, para qualquer coisa existe um clima de desconfiança de um lado e de outro. E para quem viu o original, fica claro que ao final, acontecerá algo. Só que teria que ser bem pensado, mas muito mesmo - pois, filme de golpistas, picaretas, enganadores, vigaristas, sempre tem aquela passada de perna. E mesmo cada vez mais sendo perceptível essa malícia de criar algo para derrubar o espectador da cadeira, alguns filmes conseguem conduzir isso muito bem (vide "Os vigaristas", do Ridley Scott). O que não ocorre nesse "171" (tradução infeliz - alguém discute?), que toma um PÉSSIMO caminho de mocinhos e bandidos.

5/19/2005

O Vôo da Fênix



Tinha tudo para dar completamente errado, porém acabou tendo parcelas bastante aproveitáveis dentro de toda sua fragmentação quase episódica que chega a irritar profundamente. Soa de ponta à ponta batido. São coisas ultrapassadas da criação dos personagens (um protagonista sabe-tudo, uma moça para encher lingüiça, um maluco, uns fortões, um arrogante, um cara que carrega foto da namorada, enfim), até o desenrolar do roteiro (francamente, as coisas utilizadas são manjadíssimas e colocadas de forma esquemática;- diferenças pessoas, atritos de idéias, um bando de Nômade para criar problema). Só que é bem realizado. É conscientemente realizado para impressionar em alguns momentos, e felizmente, consegue obter sucesso.

Não se pode falar tanto dos efeitos especiais, pois eles não aparecem tanto quanto parecia que iriam surgir (eles são basicamente utilizados para mostrar de forma espetacular e enrolada o acidente de avião que deixa os tripulantes da nave preso em meio ao deserto sem qualquer contato e ficam com a vida ao soar do gongo). Mas quando utilizados (tespestade de areia), são extremamente eficientes e causam um impacto visual deslumbrante como proposto (o filme aproveita bem esse momento pois é a única parte onde pode criar algo que cause uma boa imagem para apreciadores de filmes de ação). De resto, os efeitos se escondem para dar espaço para uma certa aventura calculada, digna de qualquer seriado de ação/aventura que aparece por aí.

O roteiro limita-se em criar quase nada. Sim, durante o filme pouca coisa acontece e poucos conflitos surgem (e os que surgem são pra lá de batidos e causam até um constrangimento mútuo entre espectador e personagem, como por exemplo, a cena em que existe uma sucessão de "por favor"). Nesse caso caberia ao filme aprofundar-se um pouco nas relações e nos comportamentos dos personagens, só que claramente isso é descartado pois não é esse tipo de público que ele quer atingir. Sobra então para o roteiro, divertir-se na criação do avião e na corrida contra o tempo (no caso, contra duas coisas: a água escassa e o bando de nômade que retornará), até chegar ao lógico e óbvio final triunfante.

Aonde diabos estão os pontos fortes do filme ? Os personagens são ruins, o roteiro é ruim, a direção não acrescenta em nada. Aonde ? Diria suas coisas. No carisma da tripulação, que são personagens batidos, e por isso mesmo, acabam ganhando facilmente certa familiaridade - e na atuação e presença de Dennis Quaid (não sou fã dele e não digo que seja uma atuação de Oscar), perfeitamente à vontade no personagem que lhe coube irretocavelmente. Tá aí o que uma boa sessão-da-tarde precisa, portanto, passatempo de entretenimento raso e simples.

NoTa - 5


... se o vôo da fênix não é uma porcaria, o mesmo não pode se dizer de HUCKABEES: A VIDA É UMA COMÉDIA (I earth Huckabees)... que é uma comédia do diretor do ótimo Três Reis. Uma infeliz comédia, diga-se. Dizer que é pretensioso é superestimá-lo. Não é pretensioso, é tão intelectualizado, tão irônico, seu sarcásmo é tão sentido, que é tudo uma grande falsidade. Os defensores terão muito pelo em ovo para defender aí, pois a abordagem e a forma com que é feito, é possível fazer leituras pra lá de incomuns. Dizem que é uma comédia que tira sarro de filmes inteligentes sobre existencialismo, só que a mim pareceu uma comédia tola, frustrada por não conseguir abordar tal assunto com capacidade - e então, vira um falatório à lá Contrèfield. Terrível (o filme, não a contrèfield).

Ninguém pode saber



Akira. A imagem do garoto precoce. 12 pequenos anos incompatíveis com a responsabilidade que lhe é depositada: administrar a renda da família, cuidar dos irmãos, e impedir que os responsáveis pelo condomínio em que mora descuram que várias crianças moram com ele. Só que não é apenas com isso que ele precisa se preocupar (diga-se, foi abandonado pela mãe, ou seja, como funciona a cabeça de uma criança nessa condição?). Ele é um garoto ainda não maduro, e precisa das coisas que todo garoto de sua idade gosta - e nisso, incluí-se o contato com outras crianças, fundamentalmente. E a maioria das crianças iniciam seus contatos com outras pessoas quando vão a escola - porém, nessa família em degradação constante, não existe condição de frequentar uma escola (e isso é algo que mexe bastante com a cabeça do garoto).

Portanto, no caminho de Akira, várias pedras irão aparecer e em muitas ele irá tropeçar, em função de sua imaturidade e da responsabilidade que ainda não adquiriu. A princípio, parece que Akira é um garoto já mais desenvolvido para a idade - porém, o mundo lhe oferece muitas coisas, e pelo instinto natural, ele sente falta. E essa falta acaba mexendo demais com sua cabeça e em atos inconseqüentes acaba jogando sua pequena e desestruturada família em um buraco que parece não ter mais fundo. E de forma convincente, o diretor Hirokazu Koreeda vai fazendo com que esse processo não seja súbito;- as coisas ocorrem gradativamente, vai faltando dinheiro para uma coisa aqui, outra ali, até que, o estado fica deprimente - triste, emocionalmente chocante. Só que, não é só dinheiro que falta para os irmãos; falta também, aquela atenção e aquele amor de mãe - que não estabelece contato com eles, e isso traz magoas. Magoas que podem ser percebidas nas vozes, no comportamento, na forma com que falam sobre a mãe.

Mas a história não é só de Akira. Ele é a peça chave. Mas dentro deste mundo, temos outras óticas para serem analisadas. Pois, o que Akira não tem - seus irmãos também não possuem, com um outro detalhe ainda mais relevante: eles são invisíveis, precisam ser invisíveis, para ter onde viver e morar. Chegar escondidos em malas, são pesos carregados. Chegam, e a missão deles (dada pela mãe) é que não saiam, não falem alto, ou seja, não mostrem índicios de que existem. A vida deles é ali, aquilo, trancafiados dentro de um apê minúsculo. A liberdade para eles é apenas um sonho, um sonho difícil de ser realizado - pelo menos, dentro de um período. E, falando em sonho - o que dizer da irmã mais velha ? É a parte de sonho do filme, de perspectiva, de motivação - que acaba em ruínas, em ocasião da instabilidade. Não a sua instabilidade (já que ela é a mais calculada e centrada), mas sim, da circunstância que atravessa. Seu pequeno piano, é o refúgio de sua dor e tristeza;- e, por não poder sair (e pela condição financeira), não tem como atingir o objetivo que visa.

Ninguém pode saber não é um filme fácil. Não digo com relação a ritmo ou complexidade, já que apesar de lento e da abordagem social profunda, o filme flui muito bem. Só que a tristeza que predomina durante o filme, com sorrisos lindos trajados de roupas sujas e rasgadas, ferem o coração. Atingem a dignidade daquelas pessoas. E a comoção acontece em uma escala maior, por essa ser uma história tirada de algo real (os letreiros iniciais já deixam claro que os personagens e as situações são fictícias, só que a premissa é inspirado em um acontecimento verídico), e que funciona de forma universal. O país é o Japão, só que a calamidade não é lá - o buraco é mais embaixo, e o mundo está em destroços. A sociedade está destroçada, arranhada, prejudicada por injustiças e diferenças, desigualdade. Essa mesma história pode acontecer em tantos lugares, só que culturalmente, os acontecimentos podem acontecer de forma desigual - para melhor, ou então, acredite, para pior.

P.S. - uma observação a ser feita é que o diretor Hirokazu Koreeda é o mesmo que fez um filme bem chato chamado "Depois da Vida". A evolução dele como narrador é impressionante, e o cuidado estético que tem nessa "Ninguém pode saber" é expressivamente maior do que esse outro, que peca não só pela precariedade da produção, como também, com todos os problemas em desenvolver sua premissa, tornando-se profundamente irritante e soa como um desperdício irreparável. Com uma progressão notável, em "Ninguém pode saber" ele usa bem sua sutileza e sensibilidade - e o resultado, acabou sendo esse grande filme. Completamente contrário ao seu antecessor.

Nota - 8.0


... ninguém pode saber é imperdível, em compensação CAMISA-DE-FORÇA (The Jacket) ... - é um filmeco pra lá de dispensável que entra para a mesma turma de Efeito Borboleta e Primer, sendo mais um representante do tipinho filme-espertão-que-brinca-com-o-fato-de-viajar-no-tempo, claro, bancando o complexo ao quadrado. O interessante é que são três filmes quase igualmente ruins (na verdade, esse "The Jacket" é o menos ruim), e bem diferentes em suas partes estéticas ("Efeito" é típico hollywood, "Primer" é o tradicionalíssimo sundance cult indie americano, e "Jacket" aposta na parte de suspense moderno). O filme em breve deve chegar aos cinemas brasileiros com boa distribuição, só que, dúvido muito que tenha um retorno satisfatório - pois, acho difícil encontrar alguém que se encaixe bem para gostar de algo tão visualmente histérico e irritante, com um conteúdo de plástico tão broxante e limitado.

5/18/2005

Be Cool



F. Gary Gray continua mantendo sua boa qualidade de filmes. É, sem dúvida, um dos diretores mais "cool" da atualidade, e essa continuação lhe coube perfeitamente. Pois uma das principais funções era fazer com que tudo aquilo que estava sendo mostrado fosse "cool". É muito cool a forma com que o diretor leva o projeto para frente (felizmente Barry Sonnenfeld não topou fazer, caso isso acontecesse, provavelmente o filme cairia naquele "cool" fabricado por nerd ultrapassado, algo que só combina em ficção científica - ou seja, "MIB"), sendo uma comédia com um enredo bem desenvolvido fazendo um misto com paródia sem se tornar, eu diria, patético e previsível. É uma forma nova, nem tão nova ok, mas que no primeiro filme parecia haver um certo receio em ser utilizado e só foi usado de forma óbvia sem grande impacto.

É bem ironicamente divertido o motivo pelo qual Chili Palmer resolve se desvincular da produção cinematográfica para cair no mundo da música. Ele observa um cartaz de uma continuação, fala sobre as pressões, e detesta refilmagens (Tom Hanks, hilário). E olhando bem para "Be Cool", não seria um erro dizer que além de uma continuação ele também é quase que uma refilmagem - a única diferença é que agora o mundo explorado é o da música. Só que, as qualidades dos personagens são infinitivamente superiores ao do primeiro filme - além de termos mais personagens secundários, e além deles serem mais "cools", também possuem um espaço melhor.

E, veja bem, o maior problema de MUITAS continuações que aparecem por aí, é que são meramente recontagem da história que o primeiro filme havia narrado. Seria o fato de "Be Cool" ser tão parelho com o primeiro filme (só que melhorado) algo relacionado a isso ? O filme precisa de muito contexto para que todas as sacadas sejam entendidas. E ficar no decorrer do filme tentando decodifigicar as coisas que ficam nas entrelinhas, as auto-referências, as citações para outros filmes (John Travolta e Uma Thurman voltam a dançar juntos, como em "Pulp Fiction" ), dentre outras coisas, é o que o torna tão divertido. E, uma última observação a se fazer, se em "O vingador" (ótimo filme heim) o Gray tirou uma atuação convincente de Vin Diesel (talvez, por enquanto, a única boa do ator), aqui ele consegue dar versatilidade para um outro "bomberman", quem diria que The Rock teria essa sutileza e lado cômico tão apurados ?

7


...uma pitadinha de comentário para O nome do jogo - Assisti para poder acompanhar a continuação (e é fundamental que o assista para ver a continuação). Sempre ouvia falar, mas na hora de assistir, sempre deixava para uma próxima. Pois bem, o filme é sim legal - só que, jogam confete demais nele. O brilho está em John Travolta que é "cool", como se exige, só que os demais personagens, são atrapalhados demais para estarem no mesmo filme. Fica engraçado, fica, só que no geral, fica um vazio. Um vazio incomodo.

5/17/2005

Eterno Amor



Quem será que veio primeiro: Audrey Tautou fazendo carinha de pobre menina sonhadora inocente ou diretores chamando-a para fazer pobres menininhas sonhadoras inocentes ? Pode parecer bobagem, mas tenho essa curiosidade. Pois ou ela só sabe fazer uma coisa ou então os diretores são malvadões e só a chamam para interpretar a maldita mesma personagem. Pegue "Bem me quer, mal me quer" ou "Amélie" (dentre outros), e veja que, podemos estar vendo a mesma personagem vivendo diferentes histórias. E como em todos ela é uma sonhadora, beirando (ou chegando) ao lunatísmo, a conclusão inevitável é que, sim, trata-se da mesma personagem. Sem remodelagens ou sútis diferenças na caracterização. É ela. De novo, aquela menina chata - que busca com todas as caras e bocas possíveis, abusando da persuação, parecer simpática a todo custo; seu sorriso boboca, implora pelo apelo de encanto.

Só que se em outros filmes Tautou era a moça simples dentro da simplicidade de uma história e de uma colocação estética (apesar de "Amélie" ter todo um cuidado especial, o ambiente em si traz uma aparência de humildade, mundo moderno normal), aqui em "Eterno Amor" aquela personagem é colocado dentro de algo grandioso, de proporções épicas. E em causa disso, o filme divide-se em duas partes: uma de serenidade, de tranquilidade, com a brisa sobre o rosto batendo suavemente, com a gaivota voando com um semblante de liberdade e leveza, com o mar fazendo um som para aliviar o espírito;- já na outra parte, onde vai colocando-se de forma desengonçada e bagunçada os acontecimentos da guerra (as aventuras cruéis e brutais que o noivo da moça atravessa), passando de forma bela, com aquelas tomadas lindas, com aquelas explosões magníficas, visualmente deslumbrantes, ao contraponto da angústia e horror. Ou seja, de um lado temos o belo. Do outro, a guerra, o horror, o terror, o medo.

E assim vai o filme. Com a protagonista fazendo aquela carinha de sonhadora a todo instante, a todo custo mostrando que sua esperança é maior que tudo. Que sua vida precisa que aquela peça seja resolvida, que o enigma sobre a, ainda, existência de seu grande amor tenha uma resolução para então ela descobrir qual o rumo que sua vida tomará. E Jean-Pierre Jeunet é um sujeito criativo, tem grandes idéias na cabeça - insere, sabiamente, personagens na história, que vão acrescentando elementos fundamentais para o desenrolar do filme; e, sem gratuidade barata, consegue arranjar para tais personagens, cenas realmente impressionantes (uma cena em particular me encantou, que é a do tiro no teto de vidro). Só que, o que ele tem de criativo (o quanto sua imaginação consegue ir longe), ele tem de mal narrador (o quanto ele consegue fazer com que toda sua criatividade seja mal colocada quando se junta todos seus elementos, ficando tudo bem confuso e embaralhado demais). São muitos fragmentos da história correta, e, quando chega a hora de fazer as revelações, o próprio diretor parece confuso e simplifica ao máximo todos os pequenos truques de enigmas que utilizou.

Falar que "Eterno Amor" tem um visual lindíssimo é chover no molhado. Isso todo mundo sabe, o trailer já revelava isso - e, convenhamos, isso já não é algo que esteja valendo assim tantos pontos. Pelo menos, quando é nesse estilo que o filme utiliza. Parece uma convencionalidade já. Qualquer filme americano épico com orçamento pomposo atinge tal grau de perfeição visual facilmente. E falando em filme americano, se fala que "Eterno Amor" não foi selecionado para Cannes porque parece "americano demais" - e, curiosamente, essa afirmação nunca pareceu tão verdadeira. A embalagem é toda linda, e o conteúdo, é todo vazio, artificial e quer parecer esperto e complexo demais. Complexo no filme, só analisar e entender porque tanta bagunça.

5.5


Para assistir de todo jeito: KUNG FU HUSTLE - Bom, eu não comentei Kung fu hustle da forma que o filme merece no post passado. Vou tentar corrigir isso parcialmente agora, pois, deixar o melhor filme do ano até agora passar assim despercibido é sinal de covardia minha, com aquele receio de escrever muito para chegar nem perto de o quanto é o filme (pois é, esse é um grande mal de quem não escreve lá muito bem). E não vou fazer um comentário longo, vou ser o mais simples possível. Já vi o filme nada mais e nada menos do que três vezes (agora só vou ver de novo quando passar no cinema aqui), e, em todas elas, ri da mesma forma. O filme é uma grande mistura. É um duelo de gangues. Na verdade, existe uma gangue dominadora, que apenas não dita as regras em um vilarejo (cheio de pessoas esquisitas e engraçadas - algo como a vila do Chaves, só que com mais moradores), que resiste utilizando o kung-fu. O protagonista do filme é um sujeito que carrega uma história de vida que fez com que ele sonhasse em fazer parte dessa tal gangue. E essa é a história do filme, não é um fiapo de história como pode parecer, é uma bela história. Uma mistureba de várias coisas que vão sendo identificadas. É curtir, rir muito - tem piadas bobas à lá Chaves, e, são as melhores.

5/06/2005

Filmes: uma porção deles II

A inveja mata - 2.5


Engraçado como as coisas não funcionam de maneira nenhuma em A inveja mata. Começando pelo conceito do filme, que de forma bem humorada (pelo menos era a intenção - e só ficou por aí mesmo), procura refletir um pouco sobre a forma com que o dinheiro corrompe as pessoas e também, a forma com que a inveja toma conta do ser humano sem ao menos ele tomar uma conta direta disso que está mexendo com ele. Porém, todo esse princípio moral do filme cai, pelas razões que levam aos acontecimentos - o que, conseqüentemente, também derruba o sentido do título nacional. Só que um filme como A inveja mata não precisava ser muito profundo (algo que o filme levemente busca ser) para funcionar, ainda mais contando com dois nomes de grande força da comédia americana atual, que são Ben Stiller e Jack Black. Só que, às vezes, sem piadas bons humoristas acabam passando despercebidos - e é o que acontece aqui. Nenhum dos dois tem qualquer momento de humor, e o primeiro passa sem qualquer lado cômico, já o segundo, procura de alguma forma fazer esquisitices características que geralmente funcionam, só que aqui, não entram dentro de um contexto - até pela falta de graça do filme.

Wimbledon: O jogo do amor - 6.5
Por sorte, nem em todos os casos a previsibilidade é algo que destrói um filme (geralmente isso acorre quando aposta-se demais em algum tipo de surpresa - que já é sabida antes), e no caso desse Wimbledon, ela é mais do que notável, porém, não é algo que chega a incomodar. Honestamente, mesmo havendo essa previsibilidade, em função da simpatia que o casal consegue adquirir ao decorrer do filme - existe uma ansiedade para que o final prevísivel aconteça. Do jeitinho que imaginos. Algumas coisas no filme ficam difíceis de serem digeridas. Não por serem clichês notórios do cinema (das comédias românticas mais especificamente), mas pelo mero fato de estarem lá vagamente - quase passando despercebida, além de contar com alguns absurdos (como por exemplo, os pais do jogador). Apesar do clichê no caso de Wimbledon ser inevitável, eles poderiam esquivar um pouco de estereótipos - dois dos maiores dele, por exemplo, é o jogador americano bad boy que joga a final (algo que o filme já vai deixando claro no começo) e o pai da moça durão e severo. Imagino algumas coisas que poderiam ser diferentes no filme e que o tornaria mais agradável e simpático - seria um filme que apenas despertaria sentimentos positivos, alegres, e que, seria uma grande festa. Em suma, o filme É uma grande festa - uma grande festa feita em um dos palcos mais espetaculares do tênis mundial, que é Wimbledon. Todo o jogo de bastidores, as coisas por trás das quadras, além da emoção contagiante, dentre outras coisas - o filme consegue passar perfeitamente. Só é uma pena que parece que os realizadores não jogam muito tênis - pois, em raras ocasiões existe erro de saque, ou então, jogadas onde a bola vai fora. O filme se sustenta nas jogadas mais espetáculas e impossíveis do tênis (em certo momento, torna-se patético por causa disso), e no geral, só temos winners para fechar jogadas. Mas não tem como negar que é um passatempo deliciosa pelos motivos aí já citados - além da química do casal, que no começo parece que não vai engatar (pela forma artificial que as coisas acontecem), mas aos poucos, vai conquistando, e quando acordados, já estamos torcendo para um inglês ser campeão de Wimbledon e para ele ficar junto com a tenista americana sensação. Para os ingleses, esse filme deve ser a maior delícia dos últimos anos;- para nós, é uma bela diversão, em um belo espetáculo artificial montado, que logo é esquecido, porém, o que vale, é a diversão e o entretenimento que proporciona.

Adorável Júlia - 5.0
O talento de Annette Bening é impressionante. Isso é possível perceber em sua carreira, e mais precisamente neste Adorável Júlia, onde pode ser que esteja a melhor atuação dela (o que não é pouca coisa quando se tem na carreira algo como Beleza Americana). E se Adorável Julia é um filme um tanto quanto digno e decente, a responsabilidade é toda da atriz - que sustenta sozinha toda a qualidade existente no filme. É sofisticada, elegante, brilhante e rica em pequenos detalhes que enriquecem todo o ambiente. Porém, tudo o que tem de forte na atuação de Annette Bening é o que falta para o filme em si. Existe até mesmo um lado inverso de Adorável Julia para Sunshine (o outro filme do diretor István Szabó), já que se um é bem recheado, tem tudo bem preenchido (no caso, Sunshine) - o outro (no caso Adorável Julia), quer tanto parecer pomposo e sofisticado, ao mesmo tempo em que passa uma certa tonalidade de descompromisso; no fim, resulta em quase nada. Enfim, sobra apenas Annette Bening para receber aplausos. Afinal, fazer com que uma personagem chatinha, empinada e fresca, ao final, mantendo a mesma conduta, seja uma pessoa adorável, não é tarefa fácil.

Meu nome é Radio - 2.0
Drama, para a família toda, bem padrão. Recheado de clichês e cenas para arrancar lágrimas, com aquele final apoteótico, onde tudo parece caminhar para a solução dos problemas do mundo e então, viveremos em uma sociedade perfeita - onde os grandes malvadões, rendem-se ao bom-mocismo pregado o tempo todo, e chegamos então ao paraíso desejado tanto por nossos seres extraordinários. E isso daqui ainda é baseado em uma história real - o que rende ainda mais comoção por causa da existência do verdadeiro, que é mostrado ao final com aquela trilha sonora de um grande herói. Um grande herói de guerra, um sujeito que tinha tudo para receber a maior ofensa para americanos (loser), mas acaba recebendo a maior delas - que é como se fosse um vencedor de guerra. Venceu barreiros e preconceitos, e bla bla bla. Como é tirado de uma história real, é possível refletir como a vida é um grande clichê. Como as pessoas realmente agem como filmes, e como, de fato, a vida é uma verdadeira novela;- é preciso perguntar, quem nasceu primeiro, o homem ou as histórias sobre os homens ? Fica assim até difícil criticas os óbvios e mais do que previsíveis diálogos / discursos dos personagens. Claro, tem discurso, quem não sabia ? Um discurso onde coloca todo mundo para fazer cara de pensador, sensível, e arrependido, e então, apontar culpados e então tomar lados - para perceber quem são os bonzinhos desse mundo. Só que o filme é de um coração muito belo - e quase todo mundo é extremamente dócil, com excessão de um jogador bad boy (ohhh) e seu pai afortunado (ohhhhhhh), ou seja, só uma família no filme não presta. Ok. Não vou ser chato o suficiente para perder meu tempo (mais ainda) falando que existe uma divisão grotesca de mocinhos e bandidos no filme (a cena do policial inexperiente é constrangedora, dá dor de estômado até). Isso nesse tipo de filme é comum, pois a fórmula é seguida na risca - é aquela mesma fórmula do "filme de cachorro", ou coisas do tipo. Onde existe uma batalhão dura contra os malvadões, que levam uma lição ao final - ou então, rende-se ao bom coração. Uma bondade realmente inspiradora; que é realçada ainda mais com a insuportável trilha sonora. Só que Meu nome é Radio não é somente um filme sobre a figura que dá o nome ao filme, mas sim, sobre o treinar. Aliás, a figura em si do Radio é meio que abajur, está lá, serve para alguma coisa, mas é mais um enfeite de luxo do que qualquer outra coisa (aliás, parece que o personagem só existe para dar uma empolgação maior e mais pieguice para o final - além é claro, de ser uma figura fragilizada, o que mexe com a emoção das pessoas). O que o filme mais investe é no treinar e seus conflitos para ajudar o tal Radio: é conflito com a família (que pede atenção), com os bad-boys (que são ambiciosos e inescrepulosos), com servidores públicos (que fazem restrições e tem preconceitos)... enfim, filme mela-cueca que dá até medo.

Roboôs - 7.0
É a segunda investida da Fox Animation Studios em animações computadorizadas, mercado que parece não ter limites de crescimento e se firma a cada dia mais como um dos tipos de filmes mais lucrativos e chamativos. E o caminho traçado por esse estúdio é diferenciado dos outros dois fortes concorrentes (a top Pixar e a pseudo-indie-antitese Dreamworks), pelo fato de se empenhar menos em ter uma função dúbia de agradar tanto as crianças com suas histórias simples, diretas e encatadoras (investindo, nesse caso, fortemente em figuras simpáticas), quanto adultos, com sacadas culturais e até com algum conteúdo mais psicológico ou social mais pesado - com humor, claro. A força de Robôs é o lado completamente infantil. Tem, é claro, diversos realces que adultos vão poder desfrutar e passarão despercebidos pelas crianças (nesse caso, temos referências cinematográficas - O Mágico de Oz e Cantando na Chuva - além de algum conteúdo mais sócio-cultural, que é a criação interessante de ser analisada de todo um comportamento e atitude das máquinas com relação a lazer e consumo, dentre outras coisas), porém, nota-se claramente que a função primordial do filme é criar uma aventura comum de buscar o sonho - e botar nosso herói salva o mundo, vencendo vilões maquiavélicos que pensam em dominar o mundo com suas maldades. Pois bem, e o filme funciona deliciosamente nesse caso. O robôzinho parte em busca de seu sonho na grande cidade - nesse caso, eis aí algo mais político e social que o filme toma como assunto - já que, é muito comum pessoas partirem para outro canto imaginando o lugar dos sonhos, das realizações e do sucesso profissional, porém, ao chegar lá, encontra uma realidade não tão igual aquela sonhada. Entretanto, como a intenção do filme é ser o mais simples e leve possível - uma idéia de investir nesse pensamento e refletí-lo é abandonado, e isso é minimizado ao máximo. Um pouco de preguiça ? Pode ser.

Sob o domínio do mal - 9.0
Um grande elenco bem afinado e inspirado pode render muito para um filme. E isso ocorre aqui. Três peças chaves funcionam perfeitamente (Denzel Washington, em especial Meryl Streep, e surpreendentemente, Liev Schreiber), e poderiam ser a alma do filme caso este por si só já não fosse intelecualmente brilhante e deliciosamente tentador em sua trama instigante. Legal o bastante é notar que o filme apesar de toda sua abordagem política não se embaralhada. Não se perde entre explorar, conceitualmente, algo da política atual, e muito menos, perde-se ao contar uma história a princípio complexa, mas que se revela algo, na verdade, bem arquietato e não exatamente complicado. É simples, porém inteligente. Diversão e reflexão. Uma combinação perfeita.

Assalto à 13º DP - 8.0
Porque será que os críticos - no geral - resistem tanto aos filmes de ação? São raros os que recebem elogios coletivos, ou ganham certa credibilidade - ainda mais, quando não possuem um grande nome por trás para ao menos passar alguma confiança para aqueles que avaliam darem a cara para bater sem maiores receios. É difícil entender porque um filme tão direto, cru, violento e tão bem estruturado como Assalto à 13º dp teve uma recepção tão fria de críticos e por parcela do público. Será que é porque é uma refilmagem de um diretor renomado e muito respeitado dentro daquilo que atinge? Porque, ao que conheço de Carpenter - seus filmes podem ter uma história que indique certa superficialidade, ou então, que parecem não levar à algum lugar mais distante, porém no fundo, permitem leituras extremamente ricas para reflexões sociais e culturais. Não vi o original, porém, para até hoje ele ser tão cultuado e badalado (inclui-se aí, em lista de filmes essenciais de muitas pessoas que o viram), existe um "algo mais" nele (típico do diretor). Talvez quem tenha visto o original tenha uma compreensível rejeição com está refilmagem - pois, não existe algo muito profundo e interessante para ser analisado. É um filme de ação básico, dosado com muitas cenas de adrenalina e tensão - além de uma certa camada de suspense para dar ao espectador algo que o deixe preso naquela situação junto com os personagens. É possível sentir uma certa sensação de claustrofobia - de estar preso em um lugar, sem poder se locomover, sabendo que é uma caça para milhares de caçadores que esperam apenas uma deslize para botar tudo aquilo para baixo. O filme poderia sim ter uma investigação mais profunda e crítica com relação a diversas coisas. Existe uma ambigüidade em alguns personagens; a própria trama e os acontecimentos em si, deixam algo próximo a paradoxos (ou antiteses) que ficam interessantes de serem pensados (afinal, vivemos em uma sociedade de policias corrompidos e corruptos, que de fato, são bandidos - e o filme, ainda utiliza algo para reafirmar essa condição). Parece existir uma certa iniciação na exploração mais intimista de alguns personagens, que o filme logo toma a atitude de não iludir o espectador - mostrando que aquilo não vai muito longe, e que a intenção, é mostrar ação e fazer o coração bater mais forte. Pois bem, e como ação o filme se sai muito bem. Tão bem, que digo até que, depois de A outra face (filmaço do John Woo que é da segunda metade da década de 90), este é o filme de ação mais eficiente e delirante que surgiu.

Refém de uma vida - 4.0
O filme ganhou por aí uma certa admiração fora de qualquer senso de explicação. Sua história é banal. É frio, simples, direto, barato, corriqueiro - contudo, busca acrescentar alguns elementos que o faça diferente dos demais concorrentes do gênero. A forma, ao que parece, é uma exploração direta da vida pessoal do protagonista (uma proposta de que tal acontecimento que parece que nunca vai acontece com a gente, acaba revelando coisas intimas e profundas da vida daqueles envolvidos), penetrando diretamente em reações e comportamentos. Agora, o filme é bem-sucedido em sua empreitada ? Não. Nenhum um pouco. Nada é relevantemente interessante no filme. As coisas se revelam de forma simples, e não vão muito além de uma investigação profunda digna de qualquer capítulo de Malhação. O filme apresenta diversos elementos para seus defensores usarem e abusarem como argumento, e o principal deles, é o fato de nunca tomar uma posição tão maniqueísta (pelo menos à princípio) - não se criam rotulos muito claros de mocinhos e bandidos (apesar de sabermos quem é mocinho e quem não é - porém, imoralidades/maralidades e humanização, o tornam igualmente importantes e éticos). Em alguns casos, esse tipo de posição é até interessante - porém aqui, não faz a mínima diferença. Só chove no molhado. Só segue trilha mais fácil da obviedade, e sua tática narrativa não é tão feliz quanto prometia pela idéia (colocar os acontecimentos de forma parelela), e no fim, sobram falhas no roteiro. Muito fraco.

Bully - 6.5
Larry Clark tem um aguçado interesse em colocar nas telas os grandes males e a irresponsabilidade dos jovens americanos contaminados por entorpecentes e que agem pelo impulso da adrenalina deixando a racionalidade de lado - para, após o fato consumado, então refletir sobre as atitudes que tomaram, e possivelmente, entender que cometeram um grande erro. Um erro que cometido na época de curtição e farra, acaba comprometendo toda a vida - não só deles, mas como de coisas que os cercam ou então que vão futuramente estar presentes no mundo. Em Bully o caminho que o diretor segue para passar suas idéias e suas visões sobre o mundo juvenil, é basicamente o mesmo que utiliza em seus outros filmes (do ótimo Kids até o péssimo Ken Park), utilizando de certa forma excessiva cenas de sexo e estilizando um pouco a violência para ficar graficamente contundente e gravada na retina. Porém, apesar de o diretor ter se consagrado pela forma com que expõe seus temas na tema - o forte de Bully não é a forma crua e nua que encara as coisas (até porque, isso já virou carne de vaca no cinema atual - qualquer diretorzinho meia-boca pega e faz um filme assim; por isso, o cinema de Clark já está até meio datado, ou, não é mais algo tão diferenciado, apesar de sua personalidade e estilo serem reconhecíveis). O forte encontra-se na verdade na frieza e forma expontanea com que os personagens vão agindo; passando para toda aquela situação, um ar de insignificancia, ou lugar-comum, que acaba parecendo tudo tão banal. E realmente, a violência hoje em dia está banalizada - as coisas estão tão graves, que a forma com que o diretor demonstra isso, é o que faz de Bully um filme interessante. Contudo, os méritos param por aí - o elenco primária, e conjunto com a má exploração da parte familiar que o filme apenas ensaia abordar, acaba prejudicando o resultado final. Porém, é um filme decente e reflexivo.

Outros - Tem uma coisa chamada O peso da água (2.5) , que tem o Sean Penn no elenco, e fede. O Declínio do Império Americano(3.5) é estranho, e fica bastante abaixo de As invasões bárbaras. E se alguém tem curiosidade de ver Primer (1.5), nem empolgue muito porque é muito, mas muito chato - nerdistico ao quadrado. Caso for ao cinema, cuidado com A família da noiva (1.0), que era para ser uma espécie de comédia refilmagem de Adivinhe quem vem para jantar - só que está mais para Entrando numa fria do que qualquer outra coisa, e é bem sem graça. Pior que isso, tem na locadora algo chamado Código 46 (0.5), que arrebenta qualquer filme quando o asssunto é tédio. E para fechar, quando Kung-fusão (é o nome que deram aqui no Brasil para Kung fu hustle - 10) chegar por aqui, preparem-se para o melhor filme do ano.

4/28/2005

Filmes: uma porção deles

Várias coisas acumuladas para eu colocar aqui. Então vamos direto ao assunto:

As Branquelas - 6.5

É embaraçoso. Não o filme em si, mas dizer que, mesmo sendo tosco, por vezes grosseiro e indelicado, é um filme incrivelmente bom - apesar das referências negativas. A idéia de colocar uma maquiagem tão ruim, inconvincente, barata e risível (no lado negativo da coisa), e, acreditar nela até o último minuto - com toda a esperança de que aquilo convence, chega a ser comovente. Acreditar nas idéias e as levar para frente, independente da qualidade (no caso aqui, péssima) é um ato a ser visto como heróico. Nada do filme é novo. É tudo uma reciclagem já vista e revista no cinema. Uma reciclagem que parece não ter fim. Afinal, tirando o fato do filme ser absurdamente besteirento (com piadas de gases à exaustão), não vai muito além de ser mais um daqueles filmes de policiais que cometem um fracasso de proporção gigantesca e recebem um ultimato do patrão. Logo, com a carreira em risco - não deixam de investigar o caso, para no final, serem os heróis da vez. O roteiro parece uma cópia linha por linha de qualquer outro filme da espécie. Só que nele, algo é especialmente divertido. Ok, bom. Acredito, ainda não tenho certeza, que sejam os personagens secundários e o tom de paródia para patricinhas (que apesar de extremamente estereotipado e padronizado de tudo que se rola por aí, possui uma graça toda peculiar). Achei divertido, por exemplo, a forma com que faz um embate das culturas - fazendo, claramente, uma divisão de música para camadas, grupos, facções. A forma é bem-humurada, e, praticamente chorei de rir na parte em que o jogador playboy negro racista, escuta Vanessa Calton - dizendo que é uma de suas músicas favoritas. Para dizer a verdade, As Branqueles me surpreendeu bastante. É complicado algumas vezes você assistir um filme carregado de preconceito besta; porque, vejam bem, o curriculum dos envolvidos não era nada inspirador e as críticas não foram nada boas. Tudo indicava para um filme patético, estúpido e inútil. E tudo isso, ele realmente foi, só que de forma engraçada e até mesmo gracioso; diria que parece-me um Quanto mais quente melhor, só que menor, mas muito menor. Porém, serve como passatempo tranquilamente.

A sétima vítima - 3.5

Assim como os atuais filmes de terror/suspense estão bastante semelhantes, escrever sobre os próprios, fica difícil fugir do lugar comum, e falar de um, parece fazer uma resumo de todos - já que, possuem as mesmas falhas. E este A sétima vítima não é uma excessão. Contudo, possui atrativos bem maiores do que, por exemplo, os recentes O grito, Amigo Oculto e O chamado 2. Uma das qualidades do filme encontra-se na cuidadosa fotografia. A história, por todo seu contexto, exige um lado todo obscuro - e a fotografia, capta esse tom que o diretor prega durante todo filme - e o resultado, são imagens de escuridão bastante interessantes. Já que é uma tradição o "medo do escuro" - onde as coisas acontecem, e os olhos não conseguem captar. E aí, abre um campo de exploração ótimo para o que o diretor pretendo realizar. E, mesmo caindo em clichês de sombras passando e repassando pela frente da câmera, alguns momentos tornam-se plausíveis - como, mostrar, em rápidos momentos, as crianças acomodadas na casa. Causa um certo calafrio, um friozinho na espinha que, já faz um belo tempo, um filme desse tipo não consegue causar. Outro ponte positivo do filme, é a forma direta e simples que o filme apresenta seus mistérios e suas revelações - pois, não cai naquela coisa enfadonha de segurar seu segredo até o último minuto. Até porque, não é bem um segredo. É algo bem simples. O filme é tão, mas tão simples, que às vezes pode até parecer difícil de se entender. Estamos mal-acostumados. E, o fato de A sétima vítima fazer com eu consiga perceber isso, é um mérito. Ou seja, apesar de cair em clichês básicos desse gênero de filme (banheira, criança que faz desenhos medonhos, etc), existe um algo de diferencial no filme. E isso o torna pouca coisa diferente dos outros. O que é aliviante. Mas também, as qualidade do filme param por aí mesmo. Se for apontar em números os escorregões do filme, as incoerências, e outros tipos de deficiências (como, por exemplo, o fato de aparecer algo semelhante ao Gollum no teto da casa - numa clara utilização de DEfeitos especiais ). Se colocar o roteiro em questão, aí fica muito fácil criticar o filme - tamanhas e abusivas bobagens que aparecem no decorrer. Algumas obviedades que irritam.

Papai Noel às avessas - 7.0


No começo aquela narração em off mansa com ares melancólicos parecem vender uma idéia de que aquilo seguirá de uma forma de exploração aos conceitos americanos de natal e, promete muito, um drama cômico intimista aprofundado no sentimento do protagonista por toda aquela depreciação ao natal; buscando explorá-lo humanamente. Parecia que seria algo que iria além dos "fucks" que aparecem segundo à segundo em seu decorrer, e, por tudo o que parecia ali existir, não existiria uma exaltação edificante ao natal. E de fato, existe um pouco disso. Porém, Papai Noel às avessas é um filme que segue, em seu final (que é todo construido de forma calculadíssima), o trajeto que milhares de comédias natalinas carregam. Ou nem precisam ser natalinas. Na verdade, o natal é um meríssimo detalhe existente no filme;- já que, toda a verdade do filme, é encontrado em uma porção de filme. Por exemplo, este é um filme bastante semelhante a, por exemplo, Um grande garoto - que traz, também, uma relação de adulto + criança, onde o adulto parece ter aversão aquela criança, mas no final, cria-se um laço de amizade. Uma amizade já toda programada e bem realizada, convenhamos. Com direito até mesmo a frases piegas ao extremo e carregas de sentimentalismo exarcebrado. O final então, é o cúmulo do "happy end" mais rotineiro. Aparentemente, o único diferencial de Papai Noel às avessas de outras centenas de comédias (como a já citada como exemplo), é seu vocabulário extremamente sujo e incorreto para esse tipo de filme natalino (que inclusive, é onde muito o filme se sustenta); e também, um certo carregamento de humor negro existente. Ou seja, este nada mais é do que um filme comum porém com meros detalhes que são implorações para soar diferente. Mas é tudo básico e mais do que explorado o que acontece alí, até mesmo, algumas piadinhas boas (como, por exemplo, o fato do garoto achar que o pai está viajando quando na verdade este está preso). Entretanto, existe um algo do filme que é extremamente conquistador; a sinceridade, talvez. O fato do personagem ser tão sujo e desleixado para em seguida ser consquitado pelo garoto, e esse processo ser gradativamente bem refletido na trama, seja um belo motivo. Não que este venha a ser um grande filme. Na verdade, para alguém que vinha de realização de algo tão impressionante e genuíno como Mundo Cão, esperavasse algo um tanto quanto diferente dessa nova realização do Terry Zwigoff. A exploração dos personagens secundários aqui é péssima (a moça que tem a obsessão de transar com papai noel é fraca; o anão parceiro de roubo se torna um peça quebrada ao final - podia ter uma exploração muito mais interessante; também também o lojista conversador, extremamente mal-desenvolvido - dentre outros). As únicas duas personagens bem estruturadas, criadas e desenvolvidas no filme é o protagonista e o garotinho gordinho; que inclusive, é muito bom. E o show do Thorton ajuda bastante. Enfim, uma diversão digna e diferenciada. Apesar de ser mais do mesmo.

Oldboy - 9.0 (leitura mais recomendada para quem já viu o filme).

Na primeira vez é um tanto confuso. Parece que é muito informação em um espaço de tempo muito curto e difícil de ser pensado e montado (pelo menos para os mais devagares como eu). É um jogo; mais especificamente, um quebra-cabeça - daqueles de muitas peças, que você, persistentemente e divertidamente (às vezes até estressa e irrita), passa um longo tempo de dedicando para poder montar. E Oldboy é um jogo que te prende da primeira cena até a cena final - um jogo que pode ser divertido de diversas formas. Ele é divertido porque é detalhista (por isso, é mais do que recomendável vê-lo duas vezes; pois, assim, como, por exemplo, O sexto sentido você pode ir pegando as pistas no caminho, e, depois que você já sabe o resultado, fica mais fácil você montar as coisas e captar detalhes relevantes e essênciais que são atirados na tela de tempo em tempo); ele também é divertido porque é engraçado (tem um lance ligado a supositório que é engraçado; uma cena em que o protagonista busca fazer o desjejum de sexo; ou, ainda, uma cena em que alguns capangas que levaram uma bela surra cenas antes - aparecem cheios de "remendos" ; e tem também uma brincadeira gráfica com a arma utilizada pelo protagonista); outra diversão do filme, de certa forma, é sua violência que mistura a forma explícita gráfica com a arrepiantemente sugestiva. Porém, o grande diferencial de Oldboy encontra-se em sua história. Seu texto, seu roteiro, suas surpresas - as verdadeiras razões, questionamentos, buscas e verdades. A crueldade da história, a brutalidade psicológica. É algo assustador. O filme, durante um grande tempo, é uma incógnita, algo que só tem corpo - porém, falta-lhe os pés e a cabeça. E quando ganha o pé e a cabeça, aí sim, vira uma experiência desigual já proporcionada. Surpreendente. A verdade explode na tela de forma inimaginável - e, quando revemos e repensamos o filme, notamos que, foi algo extremamente bem pensado e realizado de uma forma singular e esperta. O filme é uma pérola. Do começo ao fim. A cena de abertura, por si só, já demonstra os grandes triunfos do filme: seu protagonista, uma trilha sonora fantástica, e, um tom de "O que" e "porque" que cativa e faz com que tenhamos uma imensa vontade de ver aquilo até o fim. Se é uma dúvida que move o protagonista com seu duplo desejo (vingança + verdade), são também as duvidas que movem o espectador. E o filme não simplesmente revela-se. Ele é todo desmontado e vai apenas dando as peças para que o espectador encontre a verdade; não é bem algo na linha de Cidade dos Sonhos, na verdade, é mais simples, porém, não menos brilhante, intenso e instigante. No começo do filme é onde se concentra maior parte da genialidade do filme. É onde mais podemos encontrar elementos interessantes de serem observados; na delegacia, pouco antes do Dae-Su ser pego, é interessante observar que ele mostra foto carinhosamente de sua família, e até mesmo, fala que aquele é o dia do aniversário de sua filha e que comprou um presente para ela. Essa cena tem muita significado, apesar de não parecer. É interessante também observar na abertura do filme a utilização de elementos que marcam tempo; podemos ouvir um cuco, o tic-tica do relógio, e observar essas peças. Pois é o tempo que dita muita coisa no filme. São 15 anos enclausurado, e um tempo marcado para achar as respostas. É uma corrida em busca da verdade e da vingança, sem saber que um ritmo está sendo ditado. Podemos observar também como o filme tem um rápido estudo em cima de comunicação e a forma com que ela parece correr com uma aceleração maior que o tempo. Dae-Su tem apenas um meio de comunicação para ficar ligado ao mundo (a tv - que é por onde fica sabendo que sua mulher foi assassinado e que é o principal suspeito); esse é seu único contato com o mundo externo nos 15 anos que passa preso. A televisão é sua conexão ao mundo. É a forma dele saber que existe algo além daquele quarto (uma parte excelente é quando mostra, com a cena dividida ao meio, um lado os anos de Dae-Su passando e do outro as coisas que aconteceram ao redor do mundo naquele período). São tantas coisas legais em Oldboy. Tantas coisas engenhosas (apesar de às vezes muito esquemáticas e programadas). Tem a alucinação com formigas (simplesmente fantástico encaixando em todo o contexto); a forma com que o personagem chega a uma auto-reflexão de quem foi e o que fez (os pecados, o quanto errou); a parte em que ele arranca um tijolo e consegue colocar a mão para fora e sente a água da chuva caindo em sua mão, e quando volta a mão, bebe essa água, quase que como sentindo um gosto de liberdade e purificação; a cena de logo quando ele sai e testa se seus "treinos" funcionaram com uma encrenca com marginais; a referência a O conde de Monte Cristo ; dentre tantas outras coisas. É impressionante a forma com que o filme consegue fazer com que gravemos as frases certas e relevantes na cabeça que ganharão sentido no decorrer que os segredos foram revelados. São na verdade frases certas e cenas certas (uma cena em especial é quando ele conhece Mido); e também, tem outras frases que recheiam o filme e o deixam com um sabor mais especial (como "...sabe, eles dizem que as pessoas tem medo porque tem imaginação..."), interessantíssimo. São tantas coisas para se falar do conteúdo de Oldboy, que acabasse esquecendo outro grande mérito que é sua impecável e invejável realização. É algo moderno, mas contido (seria um David Fincher, só que sem surtos e tiques de ego). É tudo tão bem filmado, arrojado, ousado. Só que, não é apenas exercício de estilo. É algo funcional, para o bom desenvolvimento daquela história toda. Sobram elogios e viagens para Oldboy, que acredito que por méritos notáveis, levou o prêmio do Júri no festival de Cannes de 2004, que tinha como presidente Quantin Tarantino - um dos grandes admiradores dessa obra - que sem dúvida, foi um dos responsáveis de, por hoje, podermos estar vendo essa grande obra do cinema.

Antes do Amanhecer - 8.5


Antes do Amanhecer é possível ser analisado, basicamente, como um sub-trata de qualquer novela das oito da Globo. Com o diferencial de que as novelas tendem a atingir um grupo de massa que busca relaxar e acompanhar coisas simples e superficiais ao extremo; para poder sonhar com a vida daqueles personagens que possuem carrões, mulheres cobiçadas, são belos, vivem em apartamentos luxosos, enfim, as novelas são a fábricas de sonhos de determinado grupo de massa. O público que Antes do Amanhecer busca atingir são os intelectualóides fãs de arte bitolados e carregados de frustrações já que vivem marginalizados com suas diferenças, não aceitas pela sociedade dita como normal, ou que, não vê além. O processo de reflexo, influência, sonho e ego é basicamente o mesmo que os das novelas das oito - aqui, porém, é tudo inteligente, profundo, cria debates, dentre outras coisas. O filme, de fato, nos leva a sonhar. Mas é um sonho extremamente útil e cativante (aí vem a grande diferença com as novelas - que são, no geral, enroladas, descerebradas e pedantes), com uma exploração geral e discussões altamente conquistadores e atentadoras. O filme inteiro é em suma uma sucessão de diálogos;- nada mais é, do que o casal conversando sobre os mais variados assuntos, abordando tudo da forma mais intelectual que existe e com uma linguagem para deixar qualquer universário que se acha espertão orgulhoso por entender o que se fala. O filme consegue ser tudo. Sabe dentro de toda aquelas discussão inteligente, inserir um bom humor para descontrair - na verdade, é uma verdadeira e simples relação entre dois seres humanos que demonstram um interesse mútuo em se conhecem e saber cada vez mais um do outro. Nos detalhes, com perguntas bem escolhidas e sábias. E nisso, o roteiro do filme é um primor na criação de diálogos. Contudo, a força do filme não se sustenta somente em seu conteúdo de roteiro; mas sim na junção e contradição da forma + conteúdo. É impressionante a forma com que o filme consegue dizer e contradizer logo em seguida, só que não de um jeito simples e fácil; mas sim, utilizando com esperteza o seu clima sereno e sóbrio, para influenciar naquilo que está sendo explorado. Por exemplo, os personagens debatem o amor, falam diversas coisas - jogam frustrações e decepções na tela, botam esperança e boa vontade, mas, fica claro, analisando a história e percebendo a forma com que tudo vai sendo colocado e apresentando, que o amor é fundamental é uma forma de vida primordial. Não dá para falar muito filme. Apenas dá para dizer que é um encanto. Os personagens são conquistadores, e este é um filme para apaixonados e que gostam dessa condição.

Antes do Pôr-do-Sol - 7.0


O final de Antes do Amanhecer não merecia um volta ao assunto. Tudo devia se encerrar por alí mesmo, e os atos e acontecimentos seguintes na vida de Jesse e Celine (que o final deixa genialmente aberto), deviam continuar eternamente em nossa produtiva imaginação. Aquilo foi algo mágico, fascinante e, digamos, bem diferente. E o fato dessa continuação aparecer e logo quebrar toda essa magia que existia, destruindo a construção que fizemos (de forma egoísta até eu diria), cheteia. Porém, Antes do Pôr-do-Sol está muito, mas muito longe de ser um filme ruim. Se for compará-lo com o original, aí sim, a coisa fica feia para seu lado. O clima juvenil do primeiro já toma camadas escuras, mostrando que tudo está mais sério, severo, cruel e maduro. E para aquela "molecagem" que existia no primeiro filme (para a forma com que gostamos daqueles personagens), vê-lo danificado foi triste. Até mesmo as conversas e a forma de relação ganha uma intensidade incomum - parecendo que o Linklater não sabia ao certo que tom dar ao filme, pois, vez ou outra, tem uma escapadinha descontraida, nos remetendo ao encanto do primeiro filme. Infelizmente conforme o filme vai se definindo tudo vai perdendo o brilho que o primeiro tinha. Os personagens, apesar de ficaram chatos com o amadurecimento, na verdade, parecem ter regredido. Eram tão comedidos, sábios e construtivos; aqui, viram neuróticos melancólicos que ficam trocando experiências de frustrações enquanto estragam todo o charme que o primeiro filme tinha deixado para a gente (de poder imaginar as coisas que poderiam vir a acontecer), quando a histéria toma conta, vemos que Antes do Amanhecer deveria sobreviver sozinho. Mas o Linklater é um diretor talentoso. E seu talento (e sua evolução evidente na parte estética), conseguem dar dignidade para Antes do Pôr-do-Sol. Uma dignidade que seria muito difícil de conseguir - porém, Linklater transparece uma admiração por esse casal. E por nutrimos esse mesmo tipo de sentimento que ele, temos um interesse incessante em revisitar a vida desse casal, de presenciar esse reencontro tão importante para a vida deles;- e, descobrirmos, o quanto aquele dia, aquela comunicação entre eles, aquele passeio, alterou em um todo em seus vidas no decorrer dos anos. Poder estar novamente acompanhando as conversas e a forma com que eles novamente ficam intimos, é instigante. É uma pena, porém, que o romance já esteja esterrado. E que não tenhamos nenhuma cena que sequer chegar perto da genialidade como a do poeta vagabundo do primeiro filme.

Team America - 9.0


Gostando ou não gostando, é impossível manter-se indiferente a tamanha sagacidade, esperteza e ousadia. Não dá para ignorar o que é visto na tela. Temos uma embalagem de filme clássico de equipes de heróis, aparenta superficilidade (o filme caminha numa tênua linha de profundidade e superficialidade, uma divertida estrada perigosa e com doses de adrenalinha), satiriza clichês coletivamente. Porém, é um filme incomum - e tudo soa de forma diferente. O humor é basicamente o mesmo utilizado em South Park. Portanto, não existe uma surpresa quando se depara com tais acontecimentos de Team America. Contudo, são filmes bem diferentes em partes. South Park em si, por tudo que fizesse, era divertido e não muito incomodo, já Team America, é divertidaço, entretanto, tem algo nele que incomoda um pouco além - onde você precisa parar e pensar. Pensar muito. Isso não faz dele melhor e nem pior (apesar de eu preferir o South Park, por pouco, bem pouco), apenas uma experiência um pouco mais diferente e divertida. O legal de Team America é que ele possui muitas das melhores espécies de cenas que existem nesse novo século. Cena de sexo, vômito, violência, sátira, ação, etc. Incrível como com marionetes é possível fazer cenas de ação tão intensas e emocionante como em filmes com atores reais e efeitos normais - na verdade, existe um charme todo especial em ver a criatividade e a originalidade da movimentação para a criação das cenas. O filme em si tem toda uma história básica: equipe formada para salvar o mundo. Logo em seguida eles são colocados em dúvida pela sociedade se fazem o bem ou o mal pelo mundo; se lutam pela paz, pelo bem, ou apenas tornam o mundo mais violento (Bush, 11 de setembro, guerra do Iraque, atores ativistas, etc). Ou seja, é MUITO fácil fazer uma leitura de que a equipe team america nada mais é do que Bush, e o filme, diretamente joga a favor da sua equipe. Onde chegamos a conclusão de que... bom, bem óbvio. Mas, seria isso mesmo ? Notem o filme graficamente e violentamente, e chegaremos a novas conclusões. Na verdade, me parece que o filme quer se divertir com essas discussões tomam conta do mundo já fazem alguns anos. É um assunto saturado, e eles não querem ficar apontando Bush tá certo, Bush tá errado, eles querem mesmo é se divertir em cima das pessoas que tanto ficam saturando esse assunto, e no fim, tudo fica igual. Team America é uma forma de abordar o assunto, mas não tomar um lado, e sim apenas, dizer que isso tudo já encheu, por isso, acredito eu, é tudo tão batido, clichêzento, parodiado, exagerado. Enfim, listinha de melhores do ano, com certeza.

Hitch - 4.0


É a comédia romântica típica para faixa-etária mais adulta. São relaciomentos já amadurecidos que surgem em relação a forças maiores de sentimentos e menos impulso. Ou seja, não tem abusolutamente nada de novo;- então, o sustento do filme é em seus personagens e em situações que possam soar de forma inusitada, causando algum tipo de graça. Era preciso ter um protagonista forte, fundamentalmente, porém, apesar do esforço característico de Will Smith em ser bom ator, com sua simpatia e dom cômico, seu personagem, mesmo dando o título a o filme, é fraco, mas muito fraco. É tão fraco que ele (e a relação que desencadeia através dele) desaparece quando seus coadjuvantes (um cliente seu e uma moça famosa) aparecem. E, infelizmente, os coadjuvantes não ganham essa evidência por causa de empatia ou graciosidade (apesar de conter um pouco disso, e ser bem bacaninha), mas ganham pela falta de interesse na vida do personagem. Tanto que quando o filme vai chegando ao seu desfecho, o que interessa mesmo é o romance que se deveria (é) ser decundário da trama - o fim de Hitch e sua jornalista, não tem chamativo algum. Talvez por ser tudo tão óbvio e calculado desde o início. De cara, provoca um certo desinteresse pois já é possível projetar cenas, diálogos e situações que irão ocorrer dali então; se os personagens ainda tivessem alguma intensidade na característica que os tornassem mais interessante e menos previsíveis, ainda haveria salvação. E como o filme gasta muito de seu tempo no conselheiro e na jornalista - acabasse deixando muito vago e com cara de sitcom o romance de Albert com a moça rica (como típico filme americano, utiliza um truque infalível de colocar um ator gordinho e com maneirismos engraçadinhos). O filme é bem econômico em suas piadas, portanto, não existem muitos momentos para se rir. E todos os que existem, são encontrados no trailer. Enfim, não tem muito o que se falar: é a comédia romântica que não tem um brilho, por falta de graça e encanto na relação central - não tem um charme de Tom Hanks e Meg Ryan, é tudo muito programado, parece exageradamente articulado. Mesmo se for para ver somente como uma sessão de tarde básica, acaba sendo um passatempo meio longo. Opções melhores não faltam.

Herói - 8.0


"Herói" é um filme de grandes. Não existe aqui um duelo de pequenos. Por exemplo, em "O tigre e o dragão" existem pequenas lutas de combatedores menores, sem grandes habilidades. Esse filme de Zhang Yimou poupa os pequenos e coloca os gigantes e combates empolgantes que causam estardalhaços - é como um mata-mata do futebol apenas com os grandes e melhores clássicos que existem. Além disso, é um filme que segue aquela mais do que imitada narrativa de "Rashomon" (um dos melhores filmes do Kurosawa), porém, não é um conflito de versões em si, mas sim, a apresentações das verdades em camadas bem lentas. Os flashbacks formam o filme. A única verdadeira ação no tempo real de Herói acontece somente no final, que é o ato que encerra o filme de forma grandiosa. Ou seja, o filme é narração das batalhas. E como já disseram, a história que tem para contar - é fraca, porém, existe uma talento estético irretocável. E a força toda de "Herói" mora aí. No pontencial do realizador. E não é só um potencial estético, mas tem também, uma mão muito bom para a condução dos personagens. Existe todo um lado especialmente cultural do filme, com tradições e lendas (na linha de "Lanternas Vermelhas"); tem um outro lado poética/lindamente de romance e amor (que trazem uma lembranças de "O caminho para casa"); e por fim, um toque humano exemplar, sensibilizador e tocante (não tão quanto "Nenhum à menos", porém na linha). Mas o que forma "Herói" em uma grande realização, indiscutivelmente, são suas lutas. São de proporções épicas e, ao mesmo tempo, tem um lado de pequeno. De simples, humano, direto e poético. Os personagens flutuam constantemente, nos brindando com cenas de leveza e sensibilidade, dando ao filme um ar de serenidade delicioso. E a boa mão do diretor nessas cenas é o que torna Herói uma experiência visualmente deslumbrante. Lençois são utilizados. Pingos de água. Cabelo. Roupas. Espadas. Flechas. Tudo isso faz do filme uma experiência difícil de descrever. O único porém do filme fica por conta do que ele tem para contar; o que é, claramente MUITO POUCO para um espetaculo tão grande. Esse desequilibrio deixa um ar de falsidade e artificialidade no filme, que incomoda um belo tanto.

Hora de voltar - 8.0


Hora de Voltar é um certo tanto (não sei a profundidade da coisa) inspirado na vida de Zach Braff. Logo, torna-se algo semelhante a uma auto-biografia; ou, então, traços de uma biografia. Portanto, a força do filme concentra-se na forma com que Braff consegue contar a história - a transparência das situações, a intimidade, as representações, uma entrega pessoal e uma auto-investigação interessantíssima de se acompanhar. O filme é algo semelhante e bem próximo de um desabafo, e com isso, naturalmente, conforme o final aproxima-se - ganha uma intensidade "indie" básica, que se diferência na pontecialidade que o diretor/roteirista opta em abrir o coração. A história de voltar para a cidade natal é pra lá de batida e já existem um sem-número de comédias, dramas, ou qualquer gênero, que explore tal acontecimento. Mas Hora de Voltar tem algo que faz dele especial. O fato de Braff concentrar-se e contar a história de uma forma leve, quase despretenciosa, para apresentar fatos e uma proximidade aprofundada ao íntimo e a parte psíquica, merece pontos. Incrível como tudo começa de uma força estranha (uma turbulência de avião - que logo nos remete a imaginar uma vida turbulenta, algo que vai se concretizando ao tempo que a história de desenrola), e, rapidamente, já estamos entendendo a acompanhando os personagens como se fossem conhecidos de algum tempo - isso, pela paciência que Braff tem em apresentar e desenvolver os personagens antes que algo de fato venha a acontecer e ser explorado no decorrer. Talvez (ou com certeza) esse tipo de atitude do diretor ocorre pelo simples fato de aquelas pessoas, possivelmente, serem as pessoas especiais de sua vida e que a transformaram em algo com sentido, belo e feliz. E como são pessoas que lhe são especiais, ele trata cada uma com um carinho especial - os trata de forma gratificante, praticamente os agradecendo por terem existido e por terem feito parte de sua vida. E com tudo isso, com laços de amizade, amor, desentendimentos, incompreensões e reajustes, é notável a concretizante forma com que é explorada a tese de que a felicidade é muito próxima quando se pensa com o coração - é quando o coração é mais racional através das emoções, do que o cérebro é pelas coerências (ou IN-coerências?) que movem a vida.

O clã das adagas voadoras - 9.5


O clã das adagas voadoras é um filme muito diferente do que pode parecer sua proposta e o que promete sua sinopse inicial. Porém, é um filme muito igual ao que se imagina que será a base de argumento, que é a forma com que o romance do filme se cria, desenvolve e tem um desfecho grandioso. Quando de início você pode cair na idéia de que tudo aquilo poderá se desenrolar como um romance de pano de fundo para tapar espaços de uma história que promete muita politicagem, tudo é bem diferente - pois a politicagem é apenas um detalhe de um romance extremamente bem construido, natural e verdadeiro. Não se tem muito o que falar do filme. Aliás, sobre seu enredo, pois, é estragar surpresas (belas surpresas que tornam a história do romance ainda mais graciosa, corajosa e aventureira), em compensação, tem toda uma parte estética que é de cair o queixo. Não é algo cheio de cor e que usa e abusa de paisagem como as fantásticas imagens de Herói, este dá uma beleza onde parece que tudo é mais cuidado com naturalidade, sem forçar, e com uma boa utilização da câmera para formar cenas que tornam tudo aquilo um belo espetáculo visual; um espetáculo visual, comparável até com as mais belas e inspiradoras cenas de O tigre e o dragão. A força poética e cultural de O clá das adagas voadoras são dois dos elementos que enchem ainda mais o filme de beleza conceitual e espiritual. Basta observar o final; impressionante como as canções formam de certa forma a alma do filme, os diálogos informam o grau da intensidade da paixão através de poesias - isso sem contar, coisas que não precisam nem ser lidas ou ouvidas, mas simplesmente vistas e sentidas. Se em Herói Zhang Yimou fez um filme visualmente deslumbrante com truques narrativos não lá muito interessantes, em O clã das adagas voadoras ele subverteu tudo, é deu clima sereno e sóbrio, e no lugar da frieza, super-lotou de emoção.

Jogos mortais - 8.5


Inconformidade e indignação é o que move Jogos Mortais. A morte é a razão para se brincar com vidas - a morte é o princípio para que se tire vidas. E as vidas não são tiradas de forma simples - antes, é preciso jogar o jogo. Brincar com regras, pistas, desvendar mistérios, e entender os "porques" de tamanho sadismo e brutalidade. Uma crueldade bastante singular - que coloca pessoas como peças de xadres, onde levam elas para a destruição e a auto-destruição. Alguém que entra no jogo extremamente íntegro e puro, pode sair dele extremamente desnorteado, desmenbrado psico-fisicamente. Mas até que ponto vai a tal puralidade dessas pessoas ? Porque elas foram as escolhidas, e quais os erros que cometeram por estarem alí ? A começar, umas das duas pessoas que está alí presa, é um médico - um médico do típico "Ideal Americano", bem sucedido, rico, com uma mulher e uma filha. É um salvador de vidas, e dentro do jogo que lhe é proposto para sua sobrevivência e de sua família, ele precisa fazer o inverso de sua atividade profissional: ou seja, sua missão dentro do jogo nada mais é do que eliminar seu adversário. Porém, por razões lógicas - inicialmente o plano dele (e deu seu concorrênte, óbvio), é arrumar uma solução mais razoável para sair daquelas indigesta e desagradável situação. E o filme consiste em um acompanhamento psicológico. Trata-se de um estudo extremamente calculado do serial-killer - que acompanha de perto a reação de suas "peças", dentro de sua brincadeira realmente mortal. O serial-killer vai inserindo peças extremamente relevantes, que vão dando o tom para o comportamento para cada um dentro daquele banheiro - as reações destes, já era esperada pelo moderador do jogo (que não pode ser considerado exatamente um assassino, pois a atuação dele não é matar - e sim, dar as peças para que as próprias pessoas o façam; ou seja, é um jogo de manipulação extremamente concentrado). E quais são essas reações ? É justamente isso que é altamente interessante de se abservar no filme. O comportamento humano perante situações que vão penetrando a mente, e vai ao pouco, destruindo-a - elas ficam corrompidas. Uma certa peversidade toma conta; aparecem mentiras, atuações, um jogo sem cartas marcadas pelo jogadores - porém, totalmente sob controle daquele que ordena aquelas peças que se desfiguram mentalmente com o tempo. A forma com que essa decomposição da mente é mostrada, com muitas doses de tortura psicológica e cansaço físico, é o que torna Jogos Mortais uma experiência angustiante, agonizante, sufocante - se assim posso dizer. Jogos Mortais é um filme aliviante para o que se acompanha hoje em dia quando se trata de filmes de suspense, terror, horror e mistério. É um filme que não tem desespero que pregar sustos (graças a Deus, e até mesmo quando o filme tem oportunidade para utilizar desse recurso, faz da cena algo normal - bruta, rápida, súbita), porém, assusta por sua intensidade. É um filme, também, que não quer apenas parecer misterioso - pois, sua investigação psicológica já é um atrativo enorme, o mistério, é um mero detalhe, que ao final, revela-se uma peça importante de todo aquele jogo. E mostra também, que o medo é algo que a mente controí, pois, o terror pode estar mais perto do que tudo aquilo que se imagina. Além de todos esses elementos positivos, Jogos Mortais ainda conta com uma direção apesar de visualmente moderna, profundamente bem cuidada (nem parece diretor estreante, tamanha segurança) - se em Seven David Fincher sofre seus surtos de ego e maluquice virtuosa com a câmera, James Wan acredita na presença mais forte de sua história e acrescenta aquilo que acha necessário apenas visualmente; apesar de grande charme do filme estar presente no roteiro (escrito por Leigh Whannell - que interpreta o Adam), a direção é um dos elementos principais que fazem de Jogos Mortais, um dos melhores filmes do gênero dos últimos anos.

Kinsey - 8.0


Impressionando o mal-gosto dos votantes do Oscar para escolher os melhores atores do ano passado. Conseguiram incluir a rotina e o lugar comum de Clint Eastwood em "Menina de Ouro", e acabaram deixando de fora trabalhos muito mais interessantes de fora como, por exemplo, Javier Barden por "Mar Adentro" (sem dúvida, a ausência mais sentida), Paul Giamatti (um dos poucos brilhos de "Sideways") e Liam Neeson, que protagoniza de forma sensibilizadora "Kinsey" (talvez tenha sido ignorado pelo mero fato de sua atuação - e seu filme, por que não? - lembrar, em partes, Leonardo DiCaprio e "O aviador"; que é muito maior, intenso e dolorido). Assim como "O aviador", "Kinsey" utiliza-se bem do fato de ser uma cinebiografia em busca de uma exploração intimista profunda, obscura e que revela altos e baixos de uma vida conturbada, porém, não dispensa de forma alguma a oportunidade de ter a chance de explorar uma determinada camada da sociedade - colocá-la em discussão, criticá-la, entendê-la, e minuciosamente, estudá-la a partir de um ponto determinado, que aqui no caso, é o sexual. Se hoje em dia o assunto ainda é tabu e motivo de constrangimento - em épocas passadas, o pecado era ainda maior, e as consequências, assustadoramente fortes. O protagonista é ambicioso. Luta pela ciência com todas as forças que possui (e até as que não possui). Sofre boicotes, é visto com olhos censuradores, é rotulado, é alvo de criticas e ameaças. Porém, nada é o suficiente para ser barreira em sua pesquisa - que aborda todas as formas de sexo e atos sexuais: heterossexual, homossexual, sexo oral, posições, masturbação, orgasmo - é uma pesquisa profunda, que ultrapassa até mesmo valores morais comuns. E dentro de sua discussão sexual dentro da sociedade e o comportamento dela perante as revelações, o filme vai fundo e não deixa espaços com vácuos não preenchidos. Em contrapartida o filme falha na construção e desenvolvimento de alguns personagens - que, aparecem, não deixam marcas, e somem sem dizer porque apareceram. E nisso, podemos citar membros da família de Kinsey: seu filho mais velho, um jovem que toma atitudes contrárias as do pai, e tem contornos bastante purista (até mesmo pela exclusão social que sofre em causa da fama que seu pai possui), acaba simplesmente tendo uma rápida aparição, quando de fato poderia render uma abordagem exemplar para a exploração do íntimo de Kinsey. Ainda dentro da família, podemos citar que toda a parte conturbada com o pai, soa de forma caricata, tamanha exagero que o filme tem em defender o personagem e destruir a imagem de seu pai (que é um conservador nato). Os defeitos do filme não param por aí. Porém, são falhas menores e não muito relevantes como por exemplo a má escalação do elenco secundário - pois, se temos uma força central muito forte com a dupla Liam Neeson + Laura Linney, temos na contra-mão, uma fraqueza evidente em atores fracos como Tim Curry (totalmente fora de sintonia, parece atuar em paródia - sempre), Oliver Platt, John Lithgow, e até mesmo Chris O'Donnell, que não é ruim, porém aqui, parece se superestimar demais - fica longe de suas pretensões.

É só isso.