12/30/2004

Dois filmes....

Meu Tio Matou Um Cara


Jorge Furtado é definitivamente um cara legal. E Meu Tio Matou um Cara é um filme bem legal também. Nesse filme, Furtado volta mais uma vez a explorar o mundo adolescente, assim como fez em Houve Uma Vez Dois Verões, agora porém também dando pequenos enfoques a questões sociais importantes. O filme é bem no estilo dele. Ou seja, se você gostou de Houve Uma Vez Dois Verões e Um Homem que Copiava, assim como eu, vai gostar desse daqui também.

O filme é sobre Duca (Darlan Cunha), mas começa com seu tio (Lazaro Ramos), chegando em sua casa dizendo que acabou de matar um cara, mas o filme não é sobre isso, o filme é sobre o amor de Duca pela sua melhor amiga, que por sua vez é apaixonada pelo seu melhor amigo. Juntos, numa pequena aventura, eles tentam inocentar o tio de Duca, e é nesse tempo aí que o filme se desenrola.

Os diálogos típicos do Furtado estão lá, são engraçados, divertem, mas ao mesmo tempo o filme tem seu apelo dramático quando precisa, sempre no enfoque de Duca e sua amiga, que aliás é interpretada muito bem por Sophia Reis, que estréia em filmes, e é um achado, uma das melhores coisas do filme.

Incomoda apenas o excesso de propaganda, o tempo todo parece que dão um jeito de enfiar alguma coisa do patrocinador no filme, e também estranha um pouco o fato de um garoto normal de 15 ouvir Caetano Veloso quando está no seu quarto. Mas beleza, é um filme muito bom, divertido, é curto, passa muito rápido, e vale uma conferida. É sempre bom prestigiar o cinema nacional de qualidade.

Cotação - ****


Doze Homens e Outro Segredo

Esse foi outro filme que vi recentemente nos cinemas. Pende bem mais para comédia do que o seu antecessor, e isso é provavelmente a melhor coisa do filme, o fato de todos os atores parecem que estão ali se divertindo e dão um clima legal para o filme.

E Sooderbergh filma aquilo de forma bem descontraída, arranca risos em boas piadas, principalmente as que envolvem o Matt Damon e a Julia Roberts (o melhor momento do filme é com ela). Os atores parecem não querer tirar muito proveito do filme, e nenhum tenta roubar a cena mais do que outro, e isso é bom, dá ao filme o ar que ele precisa.

Se visto como um filme comum de roubo e assalto não vale a pena, até porque usa de todos os clichês do gênero, e tem reviravoltas bem previsíveis, mas se visto apenas como um passatempo, diversão, é bem legal. A única coisa que me incomodou um pouco o fato de o filme querer ser “cool” o tempo todo, mas nada que atrapalhe esse filme sem muitas pretensões. Pois, apesar de tudo, não deixa de ser um filme “cool”.

Cotação - ***1/2

12/17/2004

Filmes - Vários vol. II

  • ANTI-HERÓI AMERICANO - Já vi o Paul Giamatti em vários filmes (talvez nem tantos mas seu rosto me é familiar), e nunca dei muita bola. Sempre me passou como aqueles "eternos coadjuvantes". Mas não é que existia um personagem que lhe encaixava perfeitamente (acho que nenhum ator cairia tão bem ao personagem como ele - a atuação dele é daquelas que faz você realmente acreditar que só ele poderia viver o personagem) ? Agora, após ver o filme estou impressionado que a atuação dele não tenha sido muito premiada. Incrível, esnobaram uma das melhores atuações do ano com certeza. O sujeito é a alma, o coração, a vida e a parte humorística do filme. Uma parte humorística, aliás, muito, mas muito inteligente e cativante. O que dizer da cena do TALK SHOW ? Pouco, muito pouco - só vendo para se ter uma idéia do poder que o filme carrega. Quando comédia, sabe ser escrachado, quando dramático e melancólico, sabe arrancar lagrimas - quando humano e sincero, percebe-se que a vida é algo bem interessante - até as mais medíocres e banais. Para se fazer um roteiro inteligente, esperto e original não é preciso encher lingüiça em uma histórinha de "apagar alguém da memória". Eis a prova. E tenho dito.

  • EFEITO BORBOLETA - Forte candidato a tornar-se um novo cult do cinema americano. Lançado, praticamente deixado de lado, e aos poucos, foi ganhando uma força e sendo bastante falado e discutido. Mas não passa de uma grande porcaria de filme. Uma bela porcaria. Uma porcaria daquelas que parecem bem elaboradas - mas, no fundo, não passa de um mini-episódio daqueles seriados infantis de "terror" com criancinhas que não assusta e nem diverte. A diferença aqui é que as coisas são levadas a séria numa proporção mil vezes maior. Do clichê do clichê o diretor tenta arrancar algum interesse nosso - mas com o letreiro que aparece no começo, mata a charada de "discussão" do filme. Uma coisa batida e que já precisa de algo "novo": pequenas atitudes tomam grandes consequências. Uma pequena alteração no passado - pode mudar drasticamente no futuro. E nessa brincadeira que o filme fica durante o tempo todo. Falaram em reviravoltas; apenas falsas, só perda de tempo - o diretor vê que o papinho ridículo de ficar mudando as coisas não vai dando certo, e ele vai tentando contar isso com supresinhas que não passam de tapa/tempo. No final, a cagada já feita, o jeito é o diretor tentar se divertir arrumando "coisinhas pra mudar no passado" para cirar um "futuro novo com mudanças tragicas" - é, a teoria do caos; se pudesse voltar no passado, iria dar um jeito de eu não ver essa porcaria, aí certamente agora não reclamaria do tempo perdido. LIXO.
  • ALGUÉM TEM QUE CEDER - Nancy Mayers faz a comédia romântica para a segunda/terceira idade. Ela já é RUIM PRA DANAR, e ainda se limitando a agradar um faixa etária - fica bem difícil de se aturar. Mas dessa vez ela deu sorte - ao invés de um Mel Gibson pra encher o saco, ele tem nada mais e nada menos do que um casal inspirado em suas atuações. A química Keaton com Nichonsol é simplesmente fantástica e é o que conduz o filme a ser algo "aturável", se assim posso dizer - porque a história em si é chata. O que nos prende a querer ver o futuro dos personagens são as atuações de Keaton e Nicholson. Bom, nem tem muito o que falar - é o filme adolescente feito para os mais crescidos, mas é tão bobo, tolo, previsível e imaturo quanto um "Amor ou amizade".
  • O PAGAMENTO - John Woo na década passada fez "A outra face" que se chegou perto de ser um dos melhores filmes do anos 90, foi O MELHOR FILME DE AÇÃO da década. E disparado. Nada (em termos de ação) se compara a ele. E depois de uma coisinha aqui e outra lá, Woo volta a uma forma exemplar para nos brindar com um filme de ação que não é tão bom quanto "A outra face", porém, para os padrões atuais, é um filme de ação espertíssimo, divertido a beça e que é direto - não perde seu tempo querendo filosofar sobre o nada que vira o irrelevante (ahhh se Spielberg pudesse ler isso - Rá Rá Rá). O filme em si é um grande quebra-cabeça - e estamos sempre juntando as peças junto com o personagem, levamos o mesmo susto que ele, temos as mesmas surpresas e ficamos na mesma ansiedade. Diferente de "Efeito borboleta" (pra citar um filme que acabei de comentar), não temos um quebra-cabeça quadrado onde todas as peças são iguais e formam um jogo chato, temos um quebra-cabeça interessante, bem bolado e articulado. E quando as peças se juntam, temos um grande presente: um filme ágil, esperto, com cenas de ação empolgantes... um entretenimento de primeira.
# Rápidinhas #
* DEZ é insuportável mesmo ou foi só impressão ou impaciência minha ?
* GERAÇÃO ROUBADA é praticamente minha desistência do NOYCE. Uma bosta.
* ALBERGUE ESPANHOL não é um filme legal.
* Vi só o comecinho do BRIDGET JONES no cinema, fui embora com meia hora de filme. Quando sair em vídeo eu assisto - ou tento assistir.

Filmes - vários.

Introdução: Bom, aqui vão - comentários - de alguns filminhos que andei vendo. Agora que as férias chegaram, abriu um espaço de tempo e paciência (e porque não, concentração) maior para ver filmes - e, eis uma oportunidade apropriada para se tirar atrasos. Tem de tudo aí pela frente, e vocês, leitores de blog que eu já até cheguei a esquecer que eu fazia parte - irão acompanhar tudo, de ponta a ponta, de pé a pé, de cabeça a cabeça, de olho por olho. Desfrutem com prazer, e tenham paciência com minhas opiniões.

  • OS INCRÍVEIS - Não sei qual é a fonte de criatividade da Pixar. De onde brotam as idéias ? Estão sempre um passo a frente de tudo e todos. A formula do sucesso de suas animações não são simplesmente a animação bem feita (convenhamos, nas animações hoje em dia cada vez mais impressionantes - uma evolução não chega a pesar tanto quanto antigamente), mas sim a elaboração da história e o envolvimento do roteiro. A história de "Os incríveis" corria um perigo de ser daquelas que deveriam ter aproximadamente vinte e poucos minutos e passar nas manhãs da Globo, porém, a criatividade que vai além da sinopse foi mais longe. E se tratando de detalhes, fica difícil bater a Pixar - que até mesmo utilizando clichês que são pra lá de batidos (o vilão é um "herói frustrado", etc), consegue brotar idéias novas e empolgar na parte de ação/aventura. A família-heroíca do título do filme possue um vasto repertório de poderes - e o roteiro consegue explorar de formas divertificadas e divertidas para cada ocasição (diferente, por exemplo de um "X-Men" que inventa momentinho desnecessários e enchedores de linguiças pra demonstrar os poderes que os mutantes possuem e quebra o ritmo) - até mesmo, colocando a mãe se "contorcendo" pra cuidar dos filhos. Diversão GARANTIDÍSSIMA.
  • BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS - Jim Carrey e Kate Winslet são ótimos - e aqui, estão bem como de costume. Porém, o filme não vale o que eles fazem. Kaufman aliás, vai se rotulando como "o roteirista que leva o nome na caixinha". Não se coloca o nome do diretor ou produtor mais, agora, é Kaufman o nome que chama público. E sim, o cara encontrou a fórmula da coisa pra agradar aqueles que buscam "coisas originais e genuínas". Qualquer um que busque isso em um filme do sujeito já cai de amores pela obra antes mesmo de ver - e "Brilho Eterno" é uma coisa estranha, pois, ele faz uma coisa "diferente, original e pura" que lembra, diversas outras coisas. Com as devidas diferenças, como não ver "Brilho eterno"/ou "Geladeira amorosa" com seus vais e vens de dupla narrativa e logo lembrar de "Vanilla Sky". Parece até uma idéia aperfeiçoada - com uma mistura de "Os esquecidos" no meio do troço. Assistir o filme, passa uma sensação de clima, que dá uma vontade de bater uma brisa leve, suave, que abala corações apaixonados - mas, o que tem de apaixonante nisso daqui ? Nada. É um filme puramente intelectual, que brinca com raciocinios e divagações, e que não quer muito de sensações/experiências. Ele quer a lógica, a inteligencia, chegar a fórmula de captar e entender o amor - um sentimento forte apagável e esquecível ou não ? A forma utilizada pelo filme gélido e calculista ao extremo, seria ótimo para pensar sobre as formulas matemáticas, químicas, físicas, biologicas - mas sobre amor dessa forma, não dá. E pra piorar as coisas, com a vergonha de se fazer um filme de uma hora e meia - inventa-se uma micro-história envolvendo os coadjuvantes que fazem a experiência do esquecimento da memória, que só torna o que tava entendiante em algo insuportável.
  • CAPITÃO SKY E O MUNDO DE AMANHÃ - Foi culpa da expectativa. Ela que matou completamente o filme. Esperava um baita de um filme divertido, esperto, que fosse me fazer rir e perder o fôlego ao mesmo tempo. Coitado de mim. Trata-se de um filme que queria MUITO ser espertinho, cool e bem sacado. Porém, quanta infelicidade. Chega uma hora que se questiona : "Será que o cidadão que fez esse filme achava REALMENTE que essas coisinhas seriam divertidas ?". O que o sujeito faz é pegar uma história simples das antigas - no naipe de clássicos de super-heróis. O que ele faz, nada mais é do que pegar isso e fazer com os recursos MODERNOS as coisas ANTIGAS. O cinema aqui sofre um regresso PROPOSITAL - explicitamente proposital, mas nem por isso, muito feliz. Cria uma estética de clássico, utilizando um recurso inteiramente digital - e isso já é o suficiente pra achar que é o suficiente pra se achar aquilo bom. A história, é o cúmulo da banalidade de heróis - com romance, aventura (mornaaa), e... mais nada. Os personagens não são legais como alguns dizem; são na realidade, grandes chatos de agos inflamados, que você até torce contra eles. Não digo que é um filme ridículo, pois seria ridículo de minha parte - pois ele é intencionalmente ridículo. E acha que isso seria legal. É o fim realmente.
### QUANDO EU TIVER MAIS OPORTUNIDADE, ESCREVO SOBRE OUTROS FILMES QUE VI.

12/12/2004

Rápidos comentários sobre alguns filmes vistos aí....

no cinema:


CAPITÃO SKY E O MUNDO DO AMANHÃ - *1/2

Talvez pela grande expectativa que eu tinha sobre esse filme, ele foi uma grande decepção. Tá certo, o visual do filme é foda, visualmente falando o filme é maravilhoso, mas até que ponto isso ajuda ou atrapalha o filme? A história é muito fraquinha, as cenas de ação não convence, e em certos momentos o filme parece muito artificial, o que nos impede de sentir qualquer tensão com a situação ou as cenas de ação do filme.


SOB O DOMÍNIO DO MAL - ***1/2

Taí um thriller político atual que vale uma conferida. Bem interessante, bem dirigido, uma ótima atuação do Liev Schreiber, etc. Na verdade nunca curti muito histórias que envolvem lavagem cerebral ou coisas do tipo, e achei que o final desse filme poderia ter sido melhor trabalhado, mas é um bom filme, e vale o ingresso.


em dvd:


ANTI-HERÓI AMERICANO - ****1/2

Harvey Pekar acho que é um novo ídolo para mim. O filme basicamente conta a história real desse cara que transformou sua vida normal e chata em uma história de quadrinhos. O filme é bem articulado, é um filme e tem entrevistas com o próprio Harvey Pekar. E tem uma ótima atuação do Paul Giamatti, ator que eu nunca tinha parado para realmente prestar atenção nele, mas que mostrou potencial. Aliás o novo filme do Alexander Payne é com ele também, legal. Ah e bem, aluguem o filme.


O AGENTE DA ESTAÇÃO - **

Estranho terem falado tão bem desse filme. O filme é basicamente um nada. É sobre um anão que herda de um amigo seu uma casa perto de uma estação de trem, e então faz novas amizades com o pessoal da região e tal. Tem alguns clichês no filme ali, umas coisas bem sem-graça, como os quase atropelamentos do anão, mostra também os preconceitos que eles enfrentam, blá blá blá. E basicamente nada acontece no filme todo. É isso aí.


TODO MUNDO QUASE MORTO - **

Outro filme que está muito elogiado por aí a fora, e que não é grande coisa. O filme é uma comédia e é uma homenagem aos filmes de zumbi do George A. Romero. Ou seja é uma comédia romântica normal mas dentro de uma história de que o mundo se tornou zumbis e tal. Rende algumas piadas boas, no começo principalmente, mas depois de um tempo a idéia em si começa a cansar, e o filme fica só naquele humor inglês sem graça.


e um filme antigo visto foi:


PÉRFIDA - *****

Do William Wyler, com Bette Davis e um elenco foda. Obra-prima na minha modesta opinião. Só tem atuações boas, um roteiro bom, muito bem dirigido, fala sobre diversos assuntos bem interessantes e tal. Anyway, o filme é muito bom. Se tiverem oportunidade, assistam.



that's it, por enquanto.

12/04/2004

Atender ou não atender número de desconhecidos ?

Oi.
Alô !
Tem alguém aí ?
Sabem amigos, ninguém me lembrou que este blog existia. Sim. Eu, às vezes, me lembrava que ele existia - mas como a safra de filmes pra mim andam curtas, bom, não tinha muito o que falar aqui. Me entendem ? E ninguém, disse ninguém, foi capaz de mandar um e-mail ou falar pra mim via-icq, algo como "Pô, não posta mais não ?", ou então "Posta alguma coisa, estamos com saudades", enfim, algo do naipe.
Pois bem, caros colegas e amigas, estou aqui, por livre e expontanea vontade, para comentar um filme que vi hoje no cinema. Pelo título, algum de vocês já podem ter sacado qual é a pérola, não ? Trata-se de CELULAR, um baita de um filme de ação. É um típico filme daqueles injustiçados - que realmente, neguinho metido a criticozinho de cinema anti-filmeco de ação, torce o nariz bravamente, e com orgulho, aponta defeitos óbvios e lógicos da obra.
E, confesso, CELULAR tem rombos enormes e que dão até vontade de chorar, tamanha displicência de seus realizadores - e nisso entra roteirista e diretor. O primeiro, por ter escrito algo que foge se sua própria lógica criada e martelada durante o tempo todo, e o segundo, por realizar e não perceber tal deslize. Não é correto vir aqui e dizer o que é, porém, é lamentável. Sei que, daqui uns tempos, se me perguntarem o que é isso - talvez eu não lembre. Mas foi lamentável. Porém, não o suficiente, eu diria, pra comprometer uma obra tão divertida, alegre (sim, é um drama intenso divertido, bem humorado, alegre, extrovertido) - o diretor, dominando a ação com perfeição, sabe muito bem mesclar um humor pastelão, refinado e rasgado a obra.
Os diálogos são sensacionais. Pô, cada coisa - que faz até com que a gente saia inspirado do cinema. A morte, por exemplo, de um dos campangas - pô, é seguido de um diálogo exemplar. Hilário, que quase me fez chorar de rir no cinema. Como alguém pode pensar numa coisa daquela e alguém pode realizar tão perfeitamente, não tem explicação, mas, nessa parte, fica clara a sintonia entre roteirista/diretor. Essencial para o funcionamento da obra.
E o filme tem todo um conteúdo que pode dar reflexões. Vale a pena. MESMO.