2/27/2005

O Aviador

Ritmo, perfeito. Um equilibrio irretocável de cenas lentas (afinal, Howard Hughes não foi nenhum Indiana Jones para se meter em mil e uma aventuras) sendo apresentadas rapidamente e sem papo-furado (percebe-se, claramente, que o filme vai deixando as coisas óbvidas de lado - e apresenta somente o que interessa e é necessário). O roteiro não é nenhuma maravilha - é simples, básico e direito. Mas isso, para alguém como Martin Scorsese, já é um início de um mega-filme. E "O aviador" É esse mega-filme todo. É uma produção grande, onde é possível notar cada detalhe de dólar gasto; mas é também, como de padrão scorseseano, um filme muito, mas muito psicologicamente intense - e a vida conturbada de Hughes é um prato cheio para Scorsese explorar ao máximo as ambições, as feridas, as quedas e o ápice humano.

Scorsese é interessado não exatamente por Hughes. Mas sim pelas suas virtudes e falhas humanas; sem apontá-las, sem julgá-las, Scorsese simplesmente as apresenta. Não é o jogo do "é ruim", "é bom", é o jogo do "simplesmente É". Hughes é (foi) assim.

O melhor do ano até aqui.

P.S. (impressionante como os dois filmes favoritos ao Oscar - "Aviador" e "Menina de Ouro" crescem notavelmente na parte final; aviador na última hora e menina na última meia hora).

abraços
editor_viuva do scorsese
Henrique Miura, ao som de nada.