3/03/2005

O grito

A comparação entre "O grito" e "O chamado" é um fator inevitável. Além de ambos serem refilmagens de filmes japoneses de terror/suspense recente, também possuem diversas semelhanças no roteiro + narrativa, e na forma de ambientar seus mistérios. Por incrível que possa parecer, tem gente (malucos ?) que dizem que "O grito" é melhor (?) que "O Chamado", mas longe disso, já que, "O grito", ao contrário de "O chamado" (mais original, mais interessante, mais inteligente, mais angustiante, mais intensamente envolvente), tropeça a cada 15 minutos em clichês mal-encaixados e extremamente gratuitos - apenas a fim de pregar sustos (por sorte, poucas vezes falsos) no espectador; perdendo a contextualização da história.

Os clichês mais manjados e batidos marcam uma presença fundamental no filme: telefone toca misteriosamente (num plágio explícito de "O chamado"); um animal misterioso (que no fim não causa nada); uma criança secreta (pfff Toshio, o nome do primo do meu pai); e claro, claro, e mais claro, uma cena em um chuveiro com um sustinho PICARETA; tem também o infaltável reflexo no vidro do ônibus; uma fita perturbadora e aterrorizante (lembrando MUITO "O chamado", uma cena chave eu diria), e por aí vai. São tantos que a conta fica até perdida. Ou seja, o roteirista só pegou a idéia da maldição (vinda da cultura japonesa), e usou o "manual de roteiro de filme de terror teen norte-americano", e tudo ficou pronto. Temos até um momento em que nossa mocinha tem que correr contra o tempo para tentar salva o parceiro, em mais um momento "quero ser O chamado desesperadamente".

Não vou dizer que o filme é um lixo. Até porque não é. Possui méritos, principalmente levando em conta a atual coleção de filmes de terror/suspense teen que só querem surpreender com um final tosco - esse daqui, já mostra sua cara e se sustenta no desenvolvimento da história (diferente, por exemplo, de "O amigo oculto", que não conta nada de relevante durante o tempo todo, para chegar no final e ter algo pra contar logo que acaba o filme - ou então, "A vila", que não diz a que veio no começo, entraga tudo no meio e não faz sentido no final). O começo é bem promissor (em outro momento que lembra "O chamado" - onde, sem apresentar os créditos, tem uma cena introdutória bem direta, para pregar um pelo susto e daí então apresentar os créditos e desenvolver aquela idéia).

Agora, uma coisa que este "O grito" tem MUITO abaixo de "O chamado" é o elenco. Sarah Michelle Gellar nunca atuou de verdade (com excessão de "Segundas Intenções", onde parecia ter futuro - engano grosseiro), e aqui não faz diferente - não tem carisma, expressão e desenvoltura para carregar o filme nas costas sozinha (junto com os fantasminhas, que se fossem bem feitos, seriam assustadores - porém, parecem simplesmente "samaras digitais", provando risos em momentos indevidos). E o Bill Pullman usa o filme como um documento oficial de que sua carreira chegou ao fim, não tem mais o que oferecer - tchau.

Nota - *

Abraços,
editor_ que levou uns sustos no filme
Henrique Miura, ao som da tv.