4/02/2005

Miss Simpatia 2 - Armada e Poderosa

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O nome no roteiro já diz muita coisa: Marc Lawrence. O sujeito que escreveu coisas do nível de "Amor à segunda vista", "Forças da Natureza" e "Perdidos em Nova York" - filme que, numa estética/forma extremamente rotineira e básica, se perdiam na falta de criatividade e precariedade do roteiro. E nessa continuação de "Miss Simpatia" (que é um filme até que legal e é escrito pelo mesmo sujeito, porém, o mais legal são os personagens - curiosamente, que não é criação do próprio), o roteiro é que não decola.

É o tipo de continuação sem razão de existir. Mais uma para a coleção. Um amontoado de clichês de filme comédia-policial que faz um misto de ação mais piadinhas; o problema, é que muitas piadas são recicladas do primeiro, e já não possuem o mesmo brilho e charme (por exemplo, a risada da protagonista que parece uma porca - nada engraçado). O filme, na questão de comédia, fracassa totalmente; chega a causar constrangimento.

A Miss EUA que era para fazer rir com seu "jeitinho doce", é praticamente anulada; o sujeito que é sequestrado junto com ela, sabe-se lá por que existe; e o homossexual estereotipado, é um fracasso de tentar ressurgir o papel que Michael Caine fez no antecessor. Aliás, como Michael Caine fez falta aqui. Seu personagem no primeiro filme, era uma das melhores coisas existentes alí.

Bom, como na comédia não se salva, tem a parte de ação para se avaliar. E o buraco fica ainda mais embaixo. O roteiro tem a ousadia de usar as situações mais batidas do filme do gênero, de "dois policiais que são rivais que acabam tendo que trabalhar junto e no final acabam ficando amiguinhos trazendo inúmeras lições com psicologia de bar da esquina"; é, altamente irritante, quando Sandra Bullock diz para a outra moça "Você é minha amiga !". Francamente.

Nada no filme funciona. Nem mesmo sua trama. Colocar uma dupla pra resolver o caso, ok. Agora, fazer elas atravessarem os problemas que outras centenas de duplas policias tiveram que enfrentar (a persistência do chefe em não acreditar nas coisas que acontecem e acham que elas só erram e dão furo; uma ajudar a outra a vencer a descrença na missão; um salvar a outra de algo vital; etc), vira uma experiência chata, desgastante e desagradável. É o tipo de filme que já se tem decorado completamente.

Em "Miss Simpatia", um outro ponto forte era o carisma e a empatia que a Sandra deu para Gracie; aquele jeito desajeitada (que essa continuação tenta demonstrar com humor, mas é desastrosamente sem graça), desengonçada, e meio masculina, passando pela transformação de delicada, doce, sútil e encantadora. Foi bem divertido, simpática, eu diria. Aqui na continuação, isso não continua - pois, ela já não é mais aquela coisa graciosa (nem por culpa da atriz), ela é uma chata fútil, que caberia em "Legalmente Loira". Deprimente.

A nota é zero. Bem redondo.