
Fabián Bielinsky em "Nove Rainhas" conseguiu algo que estava além de uma coisa comum. Era algo mais do que um filme de roubo. Criava-se um laço de simpatia com os golpistas (o que por sinal, tornava seu final extremamente impactante). Esse era o ponto mais forte do filme (junto, claro, com seu roteiro inteligentemente arquitetado), e nessa refilmagem americana George Clooney e Steven Soderbergh acharam uma boa idéia fazer (já não basta chatices como "Onze Homens e um Segredo" e seu derivado ?) com que esse elemento do original sumisse. É, estranho inclusive, que em alguns momentos o filme soe como se ambos os personagens criassem uma empatia com o espectador, algo que definitivamente está bem longe de conseguir.
Não existe também a empatia mútua entre os personagens. A dupla brinca do joguinho de estar sempre com um pé atrás nas atitudes. Ou seja, para qualquer coisa existe um clima de desconfiança de um lado e de outro. E para quem viu o original, fica claro que ao final, acontecerá algo. Só que teria que ser bem pensado, mas muito mesmo - pois, filme de golpistas, picaretas, enganadores, vigaristas, sempre tem aquela passada de perna. E mesmo cada vez mais sendo perceptível essa malícia de criar algo para derrubar o espectador da cadeira, alguns filmes conseguem conduzir isso muito bem (vide "Os vigaristas", do Ridley Scott). O que não ocorre nesse "171" (tradução infeliz - alguém discute?), que toma um PÉSSIMO caminho de mocinhos e bandidos.