
F. Gary Gray continua mantendo sua boa qualidade de filmes. É, sem dúvida, um dos diretores mais "cool" da atualidade, e essa continuação lhe coube perfeitamente. Pois uma das principais funções era fazer com que tudo aquilo que estava sendo mostrado fosse "cool". É muito cool a forma com que o diretor leva o projeto para frente (felizmente Barry Sonnenfeld não topou fazer, caso isso acontecesse, provavelmente o filme cairia naquele "cool" fabricado por nerd ultrapassado, algo que só combina em ficção científica - ou seja, "MIB"), sendo uma comédia com um enredo bem desenvolvido fazendo um misto com paródia sem se tornar, eu diria, patético e previsível. É uma forma nova, nem tão nova ok, mas que no primeiro filme parecia haver um certo receio em ser utilizado e só foi usado de forma óbvia sem grande impacto.
É bem ironicamente divertido o motivo pelo qual Chili Palmer resolve se desvincular da produção cinematográfica para cair no mundo da música. Ele observa um cartaz de uma continuação, fala sobre as pressões, e detesta refilmagens (Tom Hanks, hilário). E olhando bem para "Be Cool", não seria um erro dizer que além de uma continuação ele também é quase que uma refilmagem - a única diferença é que agora o mundo explorado é o da música. Só que, as qualidades dos personagens são infinitivamente superiores ao do primeiro filme - além de termos mais personagens secundários, e além deles serem mais "cools", também possuem um espaço melhor.
E, veja bem, o maior problema de MUITAS continuações que aparecem por aí, é que são meramente recontagem da história que o primeiro filme havia narrado. Seria o fato de "Be Cool" ser tão parelho com o primeiro filme (só que melhorado) algo relacionado a isso ? O filme precisa de muito contexto para que todas as sacadas sejam entendidas. E ficar no decorrer do filme tentando decodifigicar as coisas que ficam nas entrelinhas, as auto-referências, as citações para outros filmes (John Travolta e Uma Thurman voltam a dançar juntos, como em "Pulp Fiction" ), dentre outras coisas, é o que o torna tão divertido. E, uma última observação a se fazer, se em "O vingador" (ótimo filme heim) o Gray tirou uma atuação convincente de Vin Diesel (talvez, por enquanto, a única boa do ator), aqui ele consegue dar versatilidade para um outro "bomberman", quem diria que The Rock teria essa sutileza e lado cômico tão apurados ?
7
...uma pitadinha de comentário para O nome do jogo - Assisti para poder acompanhar a continuação (e é fundamental que o assista para ver a continuação). Sempre ouvia falar, mas na hora de assistir, sempre deixava para uma próxima. Pois bem, o filme é sim legal - só que, jogam confete demais nele. O brilho está em John Travolta que é "cool", como se exige, só que os demais personagens, são atrapalhados demais para estarem no mesmo filme. Fica engraçado, fica, só que no geral, fica um vazio. Um vazio incomodo.