A inveja mata - 2.5
Engraçado como as coisas não funcionam de maneira nenhuma em A inveja mata. Começando pelo conceito do filme, que de forma bem humorada (pelo menos era a intenção - e só ficou por aí mesmo), procura refletir um pouco sobre a forma com que o dinheiro corrompe as pessoas e também, a forma com que a inveja toma conta do ser humano sem ao menos ele tomar uma conta direta disso que está mexendo com ele. Porém, todo esse princípio moral do filme cai, pelas razões que levam aos acontecimentos - o que, conseqüentemente, também derruba o sentido do título nacional. Só que um filme como A inveja mata não precisava ser muito profundo (algo que o filme levemente busca ser) para funcionar, ainda mais contando com dois nomes de grande força da comédia americana atual, que são Ben Stiller e Jack Black. Só que, às vezes, sem piadas bons humoristas acabam passando despercebidos - e é o que acontece aqui. Nenhum dos dois tem qualquer momento de humor, e o primeiro passa sem qualquer lado cômico, já o segundo, procura de alguma forma fazer esquisitices características que geralmente funcionam, só que aqui, não entram dentro de um contexto - até pela falta de graça do filme.
Wimbledon: O jogo do amor - 6.5
Por sorte, nem em todos os casos a previsibilidade é algo que destrói um filme (geralmente isso acorre quando aposta-se demais em algum tipo de surpresa - que já é sabida antes), e no caso desse Wimbledon, ela é mais do que notável, porém, não é algo que chega a incomodar. Honestamente, mesmo havendo essa previsibilidade, em função da simpatia que o casal consegue adquirir ao decorrer do filme - existe uma ansiedade para que o final prevísivel aconteça. Do jeitinho que imaginos. Algumas coisas no filme ficam difíceis de serem digeridas. Não por serem clichês notórios do cinema (das comédias românticas mais especificamente), mas pelo mero fato de estarem lá vagamente - quase passando despercebida, além de contar com alguns absurdos (como por exemplo, os pais do jogador). Apesar do clichê no caso de Wimbledon ser inevitável, eles poderiam esquivar um pouco de estereótipos - dois dos maiores dele, por exemplo, é o jogador americano bad boy que joga a final (algo que o filme já vai deixando claro no começo) e o pai da moça durão e severo. Imagino algumas coisas que poderiam ser diferentes no filme e que o tornaria mais agradável e simpático - seria um filme que apenas despertaria sentimentos positivos, alegres, e que, seria uma grande festa. Em suma, o filme É uma grande festa - uma grande festa feita em um dos palcos mais espetaculares do tênis mundial, que é Wimbledon. Todo o jogo de bastidores, as coisas por trás das quadras, além da emoção contagiante, dentre outras coisas - o filme consegue passar perfeitamente. Só é uma pena que parece que os realizadores não jogam muito tênis - pois, em raras ocasiões existe erro de saque, ou então, jogadas onde a bola vai fora. O filme se sustenta nas jogadas mais espetáculas e impossíveis do tênis (em certo momento, torna-se patético por causa disso), e no geral, só temos winners para fechar jogadas. Mas não tem como negar que é um passatempo deliciosa pelos motivos aí já citados - além da química do casal, que no começo parece que não vai engatar (pela forma artificial que as coisas acontecem), mas aos poucos, vai conquistando, e quando acordados, já estamos torcendo para um inglês ser campeão de Wimbledon e para ele ficar junto com a tenista americana sensação. Para os ingleses, esse filme deve ser a maior delícia dos últimos anos;- para nós, é uma bela diversão, em um belo espetáculo artificial montado, que logo é esquecido, porém, o que vale, é a diversão e o entretenimento que proporciona.
Adorável Júlia - 5.0
O talento de Annette Bening é impressionante. Isso é possível perceber em sua carreira, e mais precisamente neste Adorável Júlia, onde pode ser que esteja a melhor atuação dela (o que não é pouca coisa quando se tem na carreira algo como Beleza Americana). E se Adorável Julia é um filme um tanto quanto digno e decente, a responsabilidade é toda da atriz - que sustenta sozinha toda a qualidade existente no filme. É sofisticada, elegante, brilhante e rica em pequenos detalhes que enriquecem todo o ambiente. Porém, tudo o que tem de forte na atuação de Annette Bening é o que falta para o filme em si. Existe até mesmo um lado inverso de Adorável Julia para Sunshine (o outro filme do diretor István Szabó), já que se um é bem recheado, tem tudo bem preenchido (no caso, Sunshine) - o outro (no caso Adorável Julia), quer tanto parecer pomposo e sofisticado, ao mesmo tempo em que passa uma certa tonalidade de descompromisso; no fim, resulta em quase nada. Enfim, sobra apenas Annette Bening para receber aplausos. Afinal, fazer com que uma personagem chatinha, empinada e fresca, ao final, mantendo a mesma conduta, seja uma pessoa adorável, não é tarefa fácil.
Meu nome é Radio - 2.0
Drama, para a família toda, bem padrão. Recheado de clichês e cenas para arrancar lágrimas, com aquele final apoteótico, onde tudo parece caminhar para a solução dos problemas do mundo e então, viveremos em uma sociedade perfeita - onde os grandes malvadões, rendem-se ao bom-mocismo pregado o tempo todo, e chegamos então ao paraíso desejado tanto por nossos seres extraordinários. E isso daqui ainda é baseado em uma história real - o que rende ainda mais comoção por causa da existência do verdadeiro, que é mostrado ao final com aquela trilha sonora de um grande herói. Um grande herói de guerra, um sujeito que tinha tudo para receber a maior ofensa para americanos (loser), mas acaba recebendo a maior delas - que é como se fosse um vencedor de guerra. Venceu barreiros e preconceitos, e bla bla bla. Como é tirado de uma história real, é possível refletir como a vida é um grande clichê. Como as pessoas realmente agem como filmes, e como, de fato, a vida é uma verdadeira novela;- é preciso perguntar, quem nasceu primeiro, o homem ou as histórias sobre os homens ? Fica assim até difícil criticas os óbvios e mais do que previsíveis diálogos / discursos dos personagens. Claro, tem discurso, quem não sabia ? Um discurso onde coloca todo mundo para fazer cara de pensador, sensível, e arrependido, e então, apontar culpados e então tomar lados - para perceber quem são os bonzinhos desse mundo. Só que o filme é de um coração muito belo - e quase todo mundo é extremamente dócil, com excessão de um jogador bad boy (ohhh) e seu pai afortunado (ohhhhhhh), ou seja, só uma família no filme não presta. Ok. Não vou ser chato o suficiente para perder meu tempo (mais ainda) falando que existe uma divisão grotesca de mocinhos e bandidos no filme (a cena do policial inexperiente é constrangedora, dá dor de estômado até). Isso nesse tipo de filme é comum, pois a fórmula é seguida na risca - é aquela mesma fórmula do "filme de cachorro", ou coisas do tipo. Onde existe uma batalhão dura contra os malvadões, que levam uma lição ao final - ou então, rende-se ao bom coração. Uma bondade realmente inspiradora; que é realçada ainda mais com a insuportável trilha sonora. Só que Meu nome é Radio não é somente um filme sobre a figura que dá o nome ao filme, mas sim, sobre o treinar. Aliás, a figura em si do Radio é meio que abajur, está lá, serve para alguma coisa, mas é mais um enfeite de luxo do que qualquer outra coisa (aliás, parece que o personagem só existe para dar uma empolgação maior e mais pieguice para o final - além é claro, de ser uma figura fragilizada, o que mexe com a emoção das pessoas). O que o filme mais investe é no treinar e seus conflitos para ajudar o tal Radio: é conflito com a família (que pede atenção), com os bad-boys (que são ambiciosos e inescrepulosos), com servidores públicos (que fazem restrições e tem preconceitos)... enfim, filme mela-cueca que dá até medo.
Roboôs - 7.0
É a segunda investida da Fox Animation Studios em animações computadorizadas, mercado que parece não ter limites de crescimento e se firma a cada dia mais como um dos tipos de filmes mais lucrativos e chamativos. E o caminho traçado por esse estúdio é diferenciado dos outros dois fortes concorrentes (a top Pixar e a pseudo-indie-antitese Dreamworks), pelo fato de se empenhar menos em ter uma função dúbia de agradar tanto as crianças com suas histórias simples, diretas e encatadoras (investindo, nesse caso, fortemente em figuras simpáticas), quanto adultos, com sacadas culturais e até com algum conteúdo mais psicológico ou social mais pesado - com humor, claro. A força de Robôs é o lado completamente infantil. Tem, é claro, diversos realces que adultos vão poder desfrutar e passarão despercebidos pelas crianças (nesse caso, temos referências cinematográficas - O Mágico de Oz e Cantando na Chuva - além de algum conteúdo mais sócio-cultural, que é a criação interessante de ser analisada de todo um comportamento e atitude das máquinas com relação a lazer e consumo, dentre outras coisas), porém, nota-se claramente que a função primordial do filme é criar uma aventura comum de buscar o sonho - e botar nosso herói salva o mundo, vencendo vilões maquiavélicos que pensam em dominar o mundo com suas maldades. Pois bem, e o filme funciona deliciosamente nesse caso. O robôzinho parte em busca de seu sonho na grande cidade - nesse caso, eis aí algo mais político e social que o filme toma como assunto - já que, é muito comum pessoas partirem para outro canto imaginando o lugar dos sonhos, das realizações e do sucesso profissional, porém, ao chegar lá, encontra uma realidade não tão igual aquela sonhada. Entretanto, como a intenção do filme é ser o mais simples e leve possível - uma idéia de investir nesse pensamento e refletí-lo é abandonado, e isso é minimizado ao máximo. Um pouco de preguiça ? Pode ser.
Sob o domínio do mal - 9.0
Um grande elenco bem afinado e inspirado pode render muito para um filme. E isso ocorre aqui. Três peças chaves funcionam perfeitamente (Denzel Washington, em especial Meryl Streep, e surpreendentemente, Liev Schreiber), e poderiam ser a alma do filme caso este por si só já não fosse intelecualmente brilhante e deliciosamente tentador em sua trama instigante. Legal o bastante é notar que o filme apesar de toda sua abordagem política não se embaralhada. Não se perde entre explorar, conceitualmente, algo da política atual, e muito menos, perde-se ao contar uma história a princípio complexa, mas que se revela algo, na verdade, bem arquietato e não exatamente complicado. É simples, porém inteligente. Diversão e reflexão. Uma combinação perfeita.
Assalto à 13º DP - 8.0
Porque será que os críticos - no geral - resistem tanto aos filmes de ação? São raros os que recebem elogios coletivos, ou ganham certa credibilidade - ainda mais, quando não possuem um grande nome por trás para ao menos passar alguma confiança para aqueles que avaliam darem a cara para bater sem maiores receios. É difícil entender porque um filme tão direto, cru, violento e tão bem estruturado como Assalto à 13º dp teve uma recepção tão fria de críticos e por parcela do público. Será que é porque é uma refilmagem de um diretor renomado e muito respeitado dentro daquilo que atinge? Porque, ao que conheço de Carpenter - seus filmes podem ter uma história que indique certa superficialidade, ou então, que parecem não levar à algum lugar mais distante, porém no fundo, permitem leituras extremamente ricas para reflexões sociais e culturais. Não vi o original, porém, para até hoje ele ser tão cultuado e badalado (inclui-se aí, em lista de filmes essenciais de muitas pessoas que o viram), existe um "algo mais" nele (típico do diretor). Talvez quem tenha visto o original tenha uma compreensível rejeição com está refilmagem - pois, não existe algo muito profundo e interessante para ser analisado. É um filme de ação básico, dosado com muitas cenas de adrenalina e tensão - além de uma certa camada de suspense para dar ao espectador algo que o deixe preso naquela situação junto com os personagens. É possível sentir uma certa sensação de claustrofobia - de estar preso em um lugar, sem poder se locomover, sabendo que é uma caça para milhares de caçadores que esperam apenas uma deslize para botar tudo aquilo para baixo. O filme poderia sim ter uma investigação mais profunda e crítica com relação a diversas coisas. Existe uma ambigüidade em alguns personagens; a própria trama e os acontecimentos em si, deixam algo próximo a paradoxos (ou antiteses) que ficam interessantes de serem pensados (afinal, vivemos em uma sociedade de policias corrompidos e corruptos, que de fato, são bandidos - e o filme, ainda utiliza algo para reafirmar essa condição). Parece existir uma certa iniciação na exploração mais intimista de alguns personagens, que o filme logo toma a atitude de não iludir o espectador - mostrando que aquilo não vai muito longe, e que a intenção, é mostrar ação e fazer o coração bater mais forte. Pois bem, e como ação o filme se sai muito bem. Tão bem, que digo até que, depois de A outra face (filmaço do John Woo que é da segunda metade da década de 90), este é o filme de ação mais eficiente e delirante que surgiu.
Refém de uma vida - 4.0
O filme ganhou por aí uma certa admiração fora de qualquer senso de explicação. Sua história é banal. É frio, simples, direto, barato, corriqueiro - contudo, busca acrescentar alguns elementos que o faça diferente dos demais concorrentes do gênero. A forma, ao que parece, é uma exploração direta da vida pessoal do protagonista (uma proposta de que tal acontecimento que parece que nunca vai acontece com a gente, acaba revelando coisas intimas e profundas da vida daqueles envolvidos), penetrando diretamente em reações e comportamentos. Agora, o filme é bem-sucedido em sua empreitada ? Não. Nenhum um pouco. Nada é relevantemente interessante no filme. As coisas se revelam de forma simples, e não vão muito além de uma investigação profunda digna de qualquer capítulo de Malhação. O filme apresenta diversos elementos para seus defensores usarem e abusarem como argumento, e o principal deles, é o fato de nunca tomar uma posição tão maniqueísta (pelo menos à princípio) - não se criam rotulos muito claros de mocinhos e bandidos (apesar de sabermos quem é mocinho e quem não é - porém, imoralidades/maralidades e humanização, o tornam igualmente importantes e éticos). Em alguns casos, esse tipo de posição é até interessante - porém aqui, não faz a mínima diferença. Só chove no molhado. Só segue trilha mais fácil da obviedade, e sua tática narrativa não é tão feliz quanto prometia pela idéia (colocar os acontecimentos de forma parelela), e no fim, sobram falhas no roteiro. Muito fraco.
Bully - 6.5
Larry Clark tem um aguçado interesse em colocar nas telas os grandes males e a irresponsabilidade dos jovens americanos contaminados por entorpecentes e que agem pelo impulso da adrenalina deixando a racionalidade de lado - para, após o fato consumado, então refletir sobre as atitudes que tomaram, e possivelmente, entender que cometeram um grande erro. Um erro que cometido na época de curtição e farra, acaba comprometendo toda a vida - não só deles, mas como de coisas que os cercam ou então que vão futuramente estar presentes no mundo. Em Bully o caminho que o diretor segue para passar suas idéias e suas visões sobre o mundo juvenil, é basicamente o mesmo que utiliza em seus outros filmes (do ótimo Kids até o péssimo Ken Park), utilizando de certa forma excessiva cenas de sexo e estilizando um pouco a violência para ficar graficamente contundente e gravada na retina. Porém, apesar de o diretor ter se consagrado pela forma com que expõe seus temas na tema - o forte de Bully não é a forma crua e nua que encara as coisas (até porque, isso já virou carne de vaca no cinema atual - qualquer diretorzinho meia-boca pega e faz um filme assim; por isso, o cinema de Clark já está até meio datado, ou, não é mais algo tão diferenciado, apesar de sua personalidade e estilo serem reconhecíveis). O forte encontra-se na verdade na frieza e forma expontanea com que os personagens vão agindo; passando para toda aquela situação, um ar de insignificancia, ou lugar-comum, que acaba parecendo tudo tão banal. E realmente, a violência hoje em dia está banalizada - as coisas estão tão graves, que a forma com que o diretor demonstra isso, é o que faz de Bully um filme interessante. Contudo, os méritos param por aí - o elenco primária, e conjunto com a má exploração da parte familiar que o filme apenas ensaia abordar, acaba prejudicando o resultado final. Porém, é um filme decente e reflexivo.
Outros - Tem uma coisa chamada O peso da água (2.5) , que tem o Sean Penn no elenco, e fede. O Declínio do Império Americano(3.5) é estranho, e fica bastante abaixo de As invasões bárbaras. E se alguém tem curiosidade de ver Primer (1.5), nem empolgue muito porque é muito, mas muito chato - nerdistico ao quadrado. Caso for ao cinema, cuidado com A família da noiva (1.0), que era para ser uma espécie de comédia refilmagem de Adivinhe quem vem para jantar - só que está mais para Entrando numa fria do que qualquer outra coisa, e é bem sem graça. Pior que isso, tem na locadora algo chamado Código 46 (0.5), que arrebenta qualquer filme quando o asssunto é tédio. E para fechar, quando Kung-fusão (é o nome que deram aqui no Brasil para Kung fu hustle - 10) chegar por aqui, preparem-se para o melhor filme do ano.